Migrantes: importantes para construir “a única família dos povos”

Plenária do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes

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Por Roberta Sciamplicotti

ROMA, segunda-feira, 31 de maio de 2010 (ZENIT.org). Os migrantes são um "coeficiente importante" para a integração da humanidade, afirmou na última quarta-feira pela manhã o arcebispo Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.

O prelado interveio na XIX sessão da plenária do Dicastério, realizada em Roma sobre o tema da "Pastoral da mobilidade atual, no contexto da corresponsabilidade dos Estados e dos Organismos Internacionais".

A promoção humana, acrescentou, "segue hoje duas diretrizes principais": "a que vê as migrações sob o perfil da pobreza, do sofrimento e do mal-estar, onde pleiteiam intervenções de ajudas iniciais às numerosas emergências que surgem de um modo ininterrupto" e " a que evidencia potencialidades e recursos, desses que as pessoas em situação de mobilidade são portadoras, com a necessidade de acompanhamento para a progressiva inserção no novo contexto sócio-cultural, até a integração plena".                    

Para Dom Vegliò, há "ao menos quatro fatores fundamentais que colocam os deslocamentos humanos mundiais nos primeiros lugares de discussão nacional e internacional", começando pelo fator demográfico, "talvez o mais evidente".

Enquanto os países receptivos experimentam "um envelhecimento rápido e uma diminuição da população nativa", lembrou , os de emigração "crescem rapidamente".

O segundo fator é o econômico. "Muitas nações de desenvolvimento avançado têm que prestar contas com a diminuição da força de trabalho, sofrem a pressão financeira no que diz respeito às pensões garantidas pelos governos e encontram-se em dificuldade para assegurar a assistência sanitária aos idosos, cada vez mais numerosos", ao mesmo tempo, homens e mulheres dos países pobres encontram trabalho com dificuldade e procuram emprego em países mais ricos".

Depois vem o fator cultural, particularmente importante porque, ao contrário do passado, "hoje as pessoas em movimento são freqüentemente muito distintas culturalmente das da sociedade acolhedoras".

O quarto fator, "crucial", é finalmente "a segurança nacional".

"Os atos terroristas da primeira parte do novo milênio (no Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Indonésia e outros países), aliados a crimes violentos cometidos por imigrantes e amplamente divulgados pelos meios de comunicação, causaram reações de rejeição aos migrantes, também em prejuízo para a segurança nacional", observou.

Com efeito, "muitos países reforçaram o controle das fronteiras, restringiram as políticas migratórias e instituíram novos procedimentos para controlar quem chega de determinados países".

No complexo contexto atual, concluiu o prelado, a Igreja "continua oferecendo uma preciosa contribuição bonita no complexo e vasto fenômeno da mobilidade humana, fazendo-se porta-voz das pessoas mais vulneráveis e marginalizadas, mas intentando, também, valorizar os migrantes e itinerantes dentro da comunidade eclesiástica e da sociedade, como coeficiente importante para o enriquecimento recíproco e para a construção da única família dos povos, em um produtivo intercâmbio cultural".

Dom Agostino Marchetto, secretário do dicastério vaticano, pediu pela aproximação a este órgão: "saber seu pensamento e obra, e amá-lo ainda mais, como expressão laboriosa e atual da ‘sollicitudo omnium ecclesiarum' do Bispo de Roma, na qual é, a pastoral específica da mobilidade humana, verdadeiro sinal dos tempos".

A questão da mobilidade humana, recorda o Pontifício Conselho em um comunicado, requer hoje "uma aproximação multilateral, que favoreça a contribuição específica dos Estados e dos Organismos Internacionais no processo de reconhecimento dos instrumentos internacionais existentes para combater as diversas formas de discriminação, racismo, xenofobia e intolerância, em uma parte, e promova, por outra, a cooperação de todos no desenvolvimento de programas que protejam a dignidade e a centralidade da pessoa humana".