Ministério Ordenado (Parte II)

Reflexões de Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

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RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 16 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - Publicamos a seguir a segunda parte da reflexão que Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, enviou a ZENIT, sobre o Ministério Ordenado. Para ler a primeira parte clique aqui.

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Os presbíteros

Os padres ou presbíteros são essencialmente cooperadores dos bispos. O sacerdote participa da autoridade de Cristo para santificar, construir e reger a Igreja de Cristo. São especialmente assinalados para a missão e estão configurados a Cristo cabeça para agirem nome Dele. Estãoaptos e devem pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino.

Além de administrarem em favor do povo o santo sacrifício na missa, é dele também que retiram forças para seguirem sua missão pelo mundo, participando da grande missão de Cristo de levar a salvação a todos os cantos e recantos desta terra.

Ter um sacerdote é sempre um dom. Muitas comunidades hoje, pela ausência de sacerdotes, acabam ficando vários meses sem a eucaristia. E a pergunta procede: que valor damos às santas missas que diariamente temos acesso? Participamos com piedade e devoção, com espírito contrito e agradecido?

Os sacerdotes são servidores do povo de Deus. Eles fazem às vezes do bispo nas respectivas paróquias a eles confiadas. Na ordenação, a obediência prometida quer expressar a íntima fraternidade sacramental entre o bispo e o sacerdote: são colaboradores, filhos, irmãos e amigos de seu pastor, o bispo, e assim devem proceder, nunca dele desligados.

Juntos, os padres e os bispos de uma determinada diocese expressam a unidade do presbitério, sinalizada principalmente na imposição das mãos dos presbíteros após os bispos nas ordenações.

O sacerdote é outro Cristo em meio da comunidade. É ele a expressão significativa do amor de Deus que quer salvar. Por isso pastoreia, ensina e governa por meio de homens tirados do meio do povo, preparados e em seguida devolvidos ao povo para lhes servir mais e melhor, segundo as necessidades espirituais que lhe são próprias.

Os diáconos

Os diáconos recebem a imposição das mãos não para o serviço. Na ordenação diaconal apenas o bispo impõe as mãos, recordando que o diácono está intimamente ligado ao bispo nas tarefas de sua diaconia.

Pelo sacramento da Ordem lhes é impresso caráter, o que garante que eles estão pra sempre intimamente ligados a Cristo, como servidor de todos. Sua principal incumbência é ajudar o bispo e os sacerdotes nas celebrações eucarísticas e dos divinos mistérios, distribuir a comunhão, assistir ao matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho, presidir os funerais, e, principalmente, consagrar-se aos diversos serviços da caridade.

As ordenações, seja a de diácono, presbítero seja a de bispo, devem favorecer a participação do maior numero de fiéis. Devem acontecer nas catedrais e aos domingos ou outro dia de afluência de povo, a não ser que a necessidade exija outras circunstâncias a serem julgadas pelo ordinário local, ou seja, o bispo. O sacramento da Ordem é da competência dos bispos, que receberam pela ordenação episcopal a plenitude do sacramento.

Pois bem, amados irmãos e irmãs, após aprofundarmos um pouco sobre os três graus do sacramento da Ordem, somos chamados sempre mais a rezar pelas vocações. Precisamos de santos e dedicados pastores, que auxiliem o povo de Deus em suas experiências de fé, num encontro vivo e fecundo com Cristo. Encontro que transforme as suas vidas e lhes garanta uma experiência fecunda e transformadora, capaz de gerar homens e mulheres novos para um mundo novo.

São João Maria Vianey, um homem de simplicidade extraordinária, nos mostra que não são as grandes coisas que formam um bom sacerdote e o santifica, mas a experiência da simplicidade, da oferta de si em favor do outro, da santificação do seu povo, mesmo quando não há sinais primeiros desse desejo. Quando São João Vianey foi enviado para ser o pároco de Arns, esta era uma cidade pequena, com aproximadamente trezentas pessoas, capela vazia, vida promíscua e desregrada. Não tinha empregada, nem dinheiro. Aos poucos, foi visitando as casas, convidando as pessoas para a celebração da missa, e a capela começou a ser visitada. Sua fama de santidade e os bons conselhos que oferecia no confessionário, lugar de destaque de seu ministério, levava pessoas de todas as regiões e dos lugares mais distantes a procurá-lo. Chegou a atender mais de duzentos fiéis por dia, oitenta mil por ano! Seus sermões não eram organizados, ele se enrolava ao falar, mas o amor a Cristo e a Igreja eram indiscutíveis.  A capelinha se transformou e hoje se tornou centro de peregrinação. O padre apesar de suas limitações tornou-se o Patrono Universal dos Sacerdotes. Certamente o exemplo deste santo tem muito a nos ajudar na compreensão da verdadeira missão dos ministros ordenados.

Rezemos para que Cristo seja mais amado e conhecido e que seus ministros ordenados sejam o amor do coração de Cristo, como dizia São João Vianey; que sejam pregadores ambulantes da palavra com a boca e com o coração; com as palavras e as ações que santificam a vida do mundo.   

† Orani João Tempesta, O. Cist.

  Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ