"Miserando atque eligendo"

Para o seu pontificado, Papa Francisco retomou o lema do seu episcopado. No brasão aparece o monograma da Companhia de Jesus

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 2386 visitas

O brasão e o lema do Pontificado do Papa Francisco serão substancialmente os mesmos que do seu episcopado. Somente pequenas alterações no brasão.

O emblema tem um escudo azul, coberto pelos símbolos da dignidade papal, análogos aos do pontificado de Bento XVI: um mitra colocada entre chaves cruzadas de ouro e de prata, ligadas por um cordão vermelho.

Em cima do escudo está colocado um emblema da ordem da Companhia de Jesus, à qual Jorge Mario Bergoglio pertence desde 1958: um sol radiante e flamejante tendo no centro, de cor vermelha, o monograma JHS, que indica Cristo. A letra H tem encima uma cruz; debaixo três pregos da cor preta.

Na parte inferior do escudo estão colocados à esquerda uma estrela e a direita uma flor de nardo, que simbolizam respectivamente a Virgem Maria e São José, dos quais Papa Francisco é especialmente devoto. Na tradição hispânica, de fato, São José, padre adotivo de Jesus e patrono da Igreja Universal, é representado com uma flor de nardo.

O lema do Santo Padre é Miserando atque eligendo. A frase é tirada das Homilias de São Beda Venerável, o qual, comentando o episódio evangélico da vocação de São Mateus, escreve: "Vidit ergo lesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me” (Jesus viu um cobrador de impostos e olhando-o com amor o escolheu e disse: Segue-me).

Esta homilia é uma homenagem à misericórdia de Deus e está reproduzida na Liturgia das Horas da festa de São Mateus. Foi justo por ocasião da festa de São Mateus, no 21 de setembro de 1953, que, com quase 17 anos, Jorge Mario Bergoglio sentiu pela primeira vez a vocação à vida religiosa. Naquele dia, depois de uma confissão, o futuro Papa advertiu a presença no próprio coração da misericórdia de Deus, que o chamava a viver uma vida sobre o exemplo de Santo Inácio de Loyola.

No momento da sua consagração como bispo, em 1992, mons Bergoglio lembrou deste episódio da sua juventude, que marcou a sua escolha religiosa e assumiu a citada expressão de São Beda, também reproduzida no Brasão.