Missa Pro eligendo Pontifice: invocar o Espírito Santo para ajudar a Igreja a escolher o sucessor de Pedro

Quinta Congregação Geral: porta voz do Vaticano pede responsabilidade na divulgação das notícias

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 1396 visitas

Na quinta Congregação Geral que aconteceu hoje pela manhã, o número de cardeais subiu para 152. Estavam presentes 114 dos eleitores, falta apenas o cardeal do Vietnã, Pham Minh Man.  

De acordo com o referido pelo porta voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, durante o briefing com os jornalistas acreditados junto à Santa Sé, os últimos cardeais a fazerem o juramento foram o arcebispo de Varsóvia, Kazmierrz Nycz, e o núncio apostólico emérito Giovanni Coppa.

No decorrer da manhã foi realizado o sorteio do novo trio de assistentes do Camerlengo, sendo designado o cardeal Bechara Boutros Raí (para os bispos), Laurent Monsengwo (para os presbíteros) e Velasio De Paolis (para diáconos).

Entre os 16 pronunciamentos realizados na Quinta Congregação, os primeiros três foram dos chefes dos Dicastérios para assuntos econômicos: cardeal Domenico Calcagno, presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica; Giuseppe Versaldi, prefeito para Assuntos Econômicos e Giuseppe Bertello, presidente  do Governatorato da Cidade do Vaticano.

Sob a Constituição Apostólica Pastor Bonus ( n º 171), durante a Sé Vacante, o Camerlengo deve prover ao Colégio dos Cardeais relatórios e informações sobre o balanço patrimonial e econômico da Santa Sé. Por isso, o Cardeal Camerlengo, Tarcisio Bertone, colocou em questão os responsáveis ​​pelos diversos Dicastérios para assuntos econômicos.

Ainda nesta manhã foram tocados argumentos que vão da evangelização ao compromisso da Igreja no mundo de hoje; da Santa Sé aos departamentos da Cúria Romana; das relações com os bispos ao perfil e as expectativas para o novo Papa. Falou-se também do diálogo ecumênico, da caridade e do compromisso da Igreja para com os pobres.

Padre Lombardi destacou a notável variedade de intervenções, com uma ampla participação dos cardeais de todas as línguas e de todas as nações.

Instado pelos jornalistas sobre a possível data de início do Conclave, Pe. Lombardi afirmou que - além de determinada quando o número de eleitores estiver completo – é estabelecida por iniciativa do Cardeal Decano, que “sentindo" o Colégio, propõe a data e leva para votação. O Decano, portanto, se move "com muita cautela, sem a imposição de um tempo ao Colégio.

O porta-voz do Vaticano também negou a informação divulgada ontem por uma agência de notícias, segundo a qual o Conclave começaria segunda-feira, 11 de março, como se os cerimonialistas tivessem reservado uma missa Pro eligendo Pontifice na Basílica Vaticana para a tarde do mesmo dia.

A notícia foi negada pelo mestre de cerimônias do Vaticano, monsenhor Guido Marini. Além disso, acrescentou Lombardi, a reserva desta celebração litúrgica na Basílica, não diz respeito aos mestres de cerimônias, mas ao Colégio dos Cardeais.

A missa Pro eligendo Pontífice, disse Lombardi, pode ser celebrada nestes dias por qualquer sacerdote, em qualquer paróquia ou capela no mundo, para invocar o Espírito Santo para ajudar a Igreja a escolher o próximo sucessor de Pedro.

Alguns jornalistas estavam preocupados com a publicação de entrevistas ou declarações de alguns prelados que preferem permanecer anônimos. A este respeito, padre Lombardi afirmou que cada um deve assumir a responsabilidade e cabe ao jornalista avaliar se a fonte é "confiável".

Sobre algumas prováveis indiscrições que alguns cardeais italianos teriam difundido fora das Congregações, o porta-voz do Vaticano considera essas declarações inaceitáveis ​​e acrescentou: "Quem deixa a confidencialidade, eu não sei".

Quanto à suspensão da conferência de imprensa dos cardeais americanos, Lombardi afirmou que essa decisão não foi imposta de forma alguma pelo Colégio dos Cardeais.

A última rodada de perguntas foi sobre o clima emocional do Conclave, muito diferente do realizado em 2005, em luto pela morte do Papa João Paulo II. As diferenças em relação há oito anos atrás, no entanto, "não influenciam substancialmente sobre a responsabilidade dos cardeais e sobre suas tarefas", disse padre Lombardi.

Continuam as obras na Capela Sistina, em vista do Conclave, como evidenciado pelas imagens de vídeo transmitidas para a imprensa.  Está sendo escurecido o vidro da entrada da capela, e está em fase de conclusão a construção do piso de madeira elevado, onde serão dispostas as mesas dos cardeais eleitores.

Chegaram também os dois fogareiros que serão colocados fora do piso temporário: o primeiro servirá para emitir a fumaça preta ou branca, e o segundo, mais arredondado, servirá para queimar as cédulas após cada votação.

Enquanto isso, nos jardins do Vaticano foi removido o brasão papal do Papa Bento XVI. Sobre o terreno serão plantadas flores que reproduzirão o emblema do novo Papa.