Missa recorda os 450 anos do concílio de Trento

O cardeal Brandmuller, enviado especial do papa Francisco, reitera a continuidade entre o concílio do século XVI e o Vaticano II

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 377 visitas

Na catedral da cidade italiana de Trento, que sediou o concílio iniciado em 1545 e concluído em 1563, foi celebrada na tarde deste domingo, 1º de dezembro, uma missa em recordação dos 450 anos do evento eclesial. A celebração foi presidida pelo cardeal alemão Walter Brandmuller, enviado especial de sua santidade, o papa Francisco.

O concílio de Trento esclareceu a doutrina da Igreja diante das propostas protestantes e afirmou que o credo niceno-constantinopolitano contém tudo aquilo em os batizados devem crer.

Na homilia deste domingo, o cardeal alemão recordou que um estudioso daquele concílio o definiu como “o milagre de Trento" e que "somente em retrospectiva podemos reconhecer a potência com que o espírito de Deus agiu por meio desse concílio no destino da Igreja”, a ponto de os séculos posteriores serem definidos como pós-tridentinos. “Depois de 450 anos em que nós, cristãos do terceiro milênio, entoamos o mesmo Te Deum de então, não devemos manter um olhar nostálgico para o passado, mas sim celebrar este jubileu com os olhos voltados para a Igreja e para o mundo aqui e agora”, disse o cardeal.

Brandmuller perguntou qual é a mensagem do concílio que nos chega hoje, ao longo dos séculos, provocando: “Será que tinha razão quem considerava o concílio Vaticano II uma despedida do concílio de Trento?”.

Ele mesmo responde: bastaria recordar que "a constituição Lumen Gentium, do Vaticano II, que expõe os ensinamentos sobre a Igreja em dezesseis blocos, faz referência explícita aos documentos doutrinais do concílio de Trento. Depois de 450 anos, portanto, ele continua presente na doutrina da Igreja”.

Ao encerrar a homilia, o cardeal alemão nascido em família protestante e convertido à Igreja católica na juventude, apontou a necessidade de se descobrir na figura terrena e humana da Igreja “a figura do divino, para superar aquela deplorável mundanização da Igreja, que é um obstáculo para a salvação eterna dos homens”.

Olhando para o passado, ele recordou que, na abertura do concílio de Trento, nenhum dos poucos cardeais presentes vinha da Alemanha. Temia-se um futuro obscuro para a Igreja. “Não temas, pequeno rebanho, disse o Senhor aos seus apóstolos e, portanto, também aos seus sucessores reunidos em Trento. E eles se dedicaram ao trabalho para entender e discernir a verdade da fé diante dos erros da reforma”.

Brandmuller recordou ainda os frutos do concílio de Trento, ente os quais a evangelização dos novos continentes descobertos.

“Hoje, nós temos que estar repletos não apenas de gratidão, mas também da esperança de que o concílio Vaticano II, que os mais velhos de nós viveram pessoalmente, possa dar oportunamente os mesmos frutos desse concílio que hoje recordamos”.