"Missio ad gentes": dispostos a dar a vida por gratidão a Cristo

Os testemunhos das famílias enviadas pelo papa a pregar o Evangelho em todas as partes do mundo

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio, Junno Arocho | 566 visitas

"Evangelizem com amor, sejam missionários zelosos e alegres, não percam a alegria". Este é o mandamento do papa Francisco para as mais de 400 famílias do Caminho Neocatecumenal, enviadas neste fim de semana para anunciar o Evangelho de Cristo ressuscitado em todos os cantos da terra. Palavras, as do Santo Padre, que entraram para o tesouro de todas as 174 famílias que participarão das novas quarenta “missiones ad gentes” nas áreas mais descristianizadas da Europa, das Américas e da Ásia.

Estas missões "ad gentes" são uma forte ferramenta que o Caminho oferece aos bispos, que confiam nos testemunhos de amor e de perfeita unidade das famílias cristãs para reaproximar a Igreja das pessoas afastadas dela. São mães e pais que, junto com os filhos, respondem a esse chamado deixando de lado a casa, o trabalho, as amizades, na certeza de que o maior dom que o homem de hoje pode receber é conhecer o amor de Jesus Cristo.

É o mesmo amor que eles próprios experimentaram em primeira mão, como relatam Pedro e Carmen, um casal de Nova Jersey, pais de seis filhos, um dos quais no seminário em Dallas. Eles foram enviados pelo Santo Padre para a missão na Filadélfia. "Deus realmente me tirou de uma situação de morte", diz Pedro a ZENIT: "Eu morava na rua, no meio das gangues, imerso nas drogas. Deus me fez um homem novo, me deu uma esposa, me deu filhos e, acima de tudo, me deu uma família cristã. Ouvimos este chamado a ir pelo mundo anunciando o amor que Deus tem por nós".

“É claro, existe medo, mas, como eu disse, eu já tive a experiência de que Deus abriu um caminho para mim, para escapar da morte, e me deu a felicidade... Indo além das dificuldades, que com certeza vamos ter, eu confio nele”.

“Estou com mais medo pelos meus pecados do que pela missão", diz a mulher, "mas eu me lembro de onde Deus me tirou e das graças reais que Ele me deu: um casamento de 18 anos, seis filhos... E que eu não mereço". Quando perguntamos se os filhos estão felizes com a escolha dos pais, as próprias crianças respondem diretamente e em uníssono: "Siiiiiim! Estamos muito felizes!". Carmen termina: "Estamos muito felizes em fazer essa missão e eu mal posso esperar para me jogar nela e ver o que o Senhor preparou para nós".

O Santo Padre disse em seu discurso: "O Senhor sempre nos precede" e prepara um caminho mesmo "nos lugares mais remotos" e “nas mais diversas culturas”. Certos disso, Miguel e Beatriz, uma família com quatro filhos e sete "no céu", saiu da Espanha no ano passado rumo a Manchester. “Inicialmente foi bem difícil”, conta Miguel a ZENIT. “A língua, os costumes, a comida... Ficamos um ano ‘em estado de humildade’, sem conseguir nos comunicar, entender... Mas Deus nunca deixou de ajudar nem de fortalecer a nossa fé, dando-nos até as coisas concretas, como a casa, o trabalho...".

"O que mais nos impressionou foi ver como os nossos filhos se adaptaram rápido! Eles estavam felizes logo na chegada e aprenderam um inglês excelente". Esta missão, conclui o pai de família, é "a nossa maneira de dizer obrigado a Deus por tudo o que Ele fez, pela vida que Ele deu para nós e para os nossos filhos".

Também por gratidão, Cedric, Cristine e os quatro filhos decidiram partir em missão para Rajkot, na Índia. Um ato de fé extraordinário, considerando que o país é conhecido pela perseguição contínua contra os cristãos. "Os riscos são muitos", diz o indiano, falando em um tímido italiano; "a maioria da população é hinduísta, alguns até fanáticos. É tudo difícil. Mesmo na Índia, temos que aprender outra língua, outra cultura, é tudo diferente". Então, por quê? "Porque a gratidão a Deus é mais forte. Temos visto milagres e amor demais para não sermos capazes de compartilhar isso tudo com os outros". Um exemplo, conta ele, "foram as gravidezes difíceis da minha esposa. Ela arriscou muito, mas tínhamos fé, oramos e Deus nos deu quatro filhos. Um verdadeiro milagre: cada criança foi um presente! As nossas crianças são conscientes de que a vida foi um presente de Deus. E por isso estão felizes".

Outro belo testemunho é o de Paolo e Anna, um jovem casal italiano de Trieste, ele com 28 e ela com 25 anos, pais de duas crianças pequenas. Estão entre as famílias enviadas para a Ásia. "Encontramos Jesus Cristo, nos sentimos amados e estamos dispostos a levar esse amor para qualquer lugar", conta Paolo. "Nem sempre é fácil, a vida às vezes pesa, mas nós confiamos no Espírito Santo. Sem Ele, nós não fazemos nada".

"É realmente um milagre ver todas essas pessoas partindo para evangelizar, saindo de casa, da sua segurança", disse a ZENIT dom Anthony Sablan Apuron, arcebispo na ilha de Guam. "Eu fiquei especialmente impressionado com as famílias enviadas para a China, dispostas a aprender uma nova língua, uma cultura totalmente diferente, dispostas a perder a vida. Estou certo de que o Senhor vai ajudá-los".

Dom John McIntyre, bispo auxiliar de Filadélfia, para onde vão 12 famílias enviadas na missão “ad gentes”, concorda. "Foi um encontro muito bonito e comovente, especialmente por ver a preocupação do Santo Padre com as famílias e o interesse dele pelos seus filhos, mas também a generosidade dessas pessoas que se oferecem tão maravilhosamente para a missão da Igreja. Nós somos muito gratos a essas famílias, a esses sacerdotes e seminaristas, especialmente pela coragem de enfrentar os desafios humanos que vão surgir, não só a língua e as novas culturas, mas também para encontrar emprego, encontrar uma escola para os filhos. Mas eu tenho certeza de que eles vão conseguir, sustentados em tudo pela fé em Cristo e na sua vitória sobre os problemas, sobre o pecado e a morte".