Monges Cistercienses de São José do Rio Pardo (I)

História da vida monástica de São José do Rio Pardo, SP

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 852 visitas

Não é raro, em nossos dias, encontrar pessoas desejosas de conhecerem ou tentarem entender melhor a vida em um mosteiro ou apenas de saberem como vivem os monges católicos, qual sua origem e função na Igreja.

Esta série de artigos busca responder, didaticamente, a essa dúvida sadia a partir da vida monástica cultivada na Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, em São José do Rio Pardo (SP), fundada em 1939, no mesmo local em que se encontra atualmente: ao lado do Santuário São Roque na Praça Mons. Guilherme Arnould, 51.

Iniciamos esclarecendo que o termo monge vem do grego monachós e designa aquele fiel que deixou casa, parentes, bens materiais e se retirou para a solidão a fim de ali servir, no desprendimento do mundo, a Deus como o Único Necessário em sua vida. No início desse modelo de vida religiosa, esses homens e mulheres se retiravam, solitariamente, para lugares desertos ou ermos (daí o nome eremita) a fim de ali rezarem, trabalharem e, com o fruto de seus trabalhos, praticarem a caridade para com os mais necessitados. Embora isolados uns dos outros, visitavam-se e trocavam experiências da vida a fim de se amadurecerem, reciprocamente, no progresso espiritual.

Nos séculos IV e V, começa a aparecer ao lado da vida eremítica, o modo de viver cenobítico (de Koinós = comum e bios = vida), ou seja, de vida em comunidade, cuja primeira Regra foi escrita por São Pacômio (†346), no Egito, seguida pela de São Basílio (†379) e pela mais conhecida, hoje, que é a de São Bento (†547), merecedor do título de “Pai dos Monges do Ocidente”. Esta regra prescreve, basicamente, que o monge se entregue a Deus pela consagração em uma família, que é o mosteiro, sob a orientação segura de um Pai (Abade), exercitando-se no serviço do Senhor por meio da oração e do trabalho, bases da vida monástica beneditina.

No século X, no entanto, em meio a tantas dificuldades na Igreja, as abadias beneditinas também não passaram ilesas pela corrupção dos costumes, de modo que os santos Abades Alberto, Alberico e Estevão, junto com outros companheiros, iniciaram, na França, um mosteiro capaz de reformar a vida de seus membros. Esse cenóbio se chamava Cîteaux, daí o nome Cisterciense.

Essa reforma deu origem à espiritualidade dos monges cistercienses que se resume no seguinte: combinar, de modo harmonioso, dois elementos do monaquismo, ou seja, a vida eremítica – cuja solidão e silêncio muito favorecem a oração – e a cenobítica ou fraterna proposta pela Regra de São Bento, por ela se realiza o ideal de vida apostólica das comunidades primitivas que tinham “um só coração e uma só alma” (At 4,32; cf. At. 2,42-47). Nesse quadro, aparecem também outros importantes elementos desta vida: o afastamento do mundo, o despojamento na pobreza e simplicidade, o regime alimentar sóbrio e a fecunda monotonia dos trabalhos realizados (cf. Cister 1098-1998. Escola de Caridade. Folheto explicativo, s/d).

Quem toma contato com os horários do Mosteiro de São José do Rio Pardo percebe o quanto ele está realmente voltado para o louvor a Deus por meio da oração e do trabalho que pode ser manual (faxina, preparação dos alimentos, cuidado de animais etc.), intelectual (estudos acadêmicos ou internos sempre a serviço da Igreja) e pastoral (no caso dos sacerdotes, a capelania de colégios ou hospitais, atendimento na portaria do mosteiro, na paróquia etc.).

Na Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, os horários são, salvo raras variações em alguns dias, os seguintes: 4h40, despertar; 5h Ofício de Vigílias (também chamado de Leituras), seguido de Laudes; 6h15, Santa Missa; 6h50, Capítulo (reunião em uma sala própria do mosteiro para a leitura da Santa Regra de São Bento no trecho correspondente àquele dia com um comentário da mesma pelo Abade) seguido do café da manhã e da LectioDivina (Leitura orante da Bíblia); 8h, Ofício de Terça; 8h15, início dos trabalhos ou estudos; 12h, Ofício de Sexta seguido do almoço acompanhado de um breve tempo livre; 14h, Ofício de Noa; 14h15 aulas ou trabalhos; 17h, banho; 17h30, Ofício de Vésperas após o qual vem o jantar e o recreio (momento de confraternização entre os monges); 19h45 Ofício de Completas seguido do repouso noturno.

Nos próximos dois artigos, trataremos sobre o significado de cada Ofício Divino bem como da importância do trabalho na vida monástica.