Monges Cistercienses de São José do Rio Pardo (III)

História da vida monástica de São José do Rio Pardo, SP

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 538 visitas

Descrita a vida de oração e o seu significado teológico, nos dois artigos anteriores, outro aspecto importante a ser destacado é o de que todos os monges – sacerdotes e irmãos – trabalham.

Isso poderia parecer irrelevante, pois um leitor objetaria dizendo que, na vida do dia a dia, todos os cidadãos honestos trabalham a fim de poderem sustentar a si mesmos e às suas famílias. Está correto. Contudo, realçar o trabalho dos monges é importante por duas razões: demonstrar que não estão ali na ociosidade e evidenciar que o trabalho é uma extensão da oração. Portanto, longe de ser um apêndice ou mera luta por sustento material, ele faz parte da vocação monástica ao lado da oração. Daí se cumprir o que São Bento de Núrcia, grande codificador das regras monacais no Ocidente, propunha em seus ensinamentos sintetizados pelo ora et labora, ou seja, reza e trabalha!

É por esta razão que a Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, em São José do Rio Pardo, não possui um empregado sequer. Todo trabalho é feito pelos monges. E isso é importante na vida monástica, conforme escreve Dom Estevão Bettencourt, OSB, em reforço ao que até aqui afirmamos: o monge tem o seu trabalho como extensão da oração e encaminhamento para ela, centro da vida monástica. E mais: “Esse trabalho pode ser de tipos bem diferentes; um mosteiro pode realizar tarefas diversas dentro da moldura da oração: estudo, ensino, vida sacerdotal ou trabalho manual; São Bento queria mesmo que os seus mosteiros tivessem em seu recinto todas as oficinas e dependências necessárias para atender ao sustento da comunidade: horta, padaria, alfaiataria etc.” (Dom Estevão T. Bettencourt, OSB. Vida monástica. São Paulo: Lux vita, 1954, p. 14).

Não se pense, contudo, que o mosteiro visa um resultado imediato para o qual tivesse sido fundado, ou seja, para se destacar neste ou naquele ponto. Não. Ele existe, única e exclusivamente, para que os seus membros sirvam a Deus pela renúncia a tudo e, por conseguinte, pela dependência de um Abade (Abba = Pai), de modo que o serviço mais brilhante aos olhos humanos tem o mesmo valor do que aquele pouco vistoso para os homens. Ambos, diante de Deus, possuem valor máximo se realizados por obediência à Santa Regra e aos Superiores.

Dois ensinamentos podem ser aqui relembrados a fim de realçarem, no campo da fé, único a dar sentido maior à vida monástica, o valor da obediência e do trabalho nela realizado.

O primeiro conta que “quatro cetiotas (habitantes do deserto de Cétia), revestidos de peles, foram falar com o grande abade Pambo. Cada qual indicou a principal virtude de seus companheiros. Um deles jejuava muitíssimo; o segundo nada possuía; o terceiro era dotado de muita caridade. Do quarto, porém, disseram que havia vinte e dois anos que perseverava na obediência a um ancião. Respondeu-lhes o Abade Pambo: ‘Digo-vos que a virtude deste último é a maior, pois cada um de vós, por sua própria vontade alcançou a virtude em que se distingue; este, porém, tendo amputado a própria vontade, obedece à vontade de outrem. Sem dúvida tais homens são confessores, caso mantenham até o fim essa observância” (Apoftegmas PG 65, 730).

O segundo relata o seguinte: o Abade João Curto retirou-se para o deserto a fim de morar junto de um ancião tebano (de Tebas). “Ora, o ancião, tomando um lenho seco, plantou-o e mandou-lhe: ‘Rega este lenho com um cântaro de água todos os dias até que dê fruto’. A água se achava longe dele de modo que (para ir buscá-la) saia à tarde e voltava de manhã. Finalmente, após três anos o lenho reviveu, tornou-se verde, deu fruto. O ancião tendo colhido este fruto, levou-o à igreja e disse aos irmãos: ‘Tomai e comei o fruto da obediência’.” (Apoftegmas PG 65, 203).

Importa notar ainda que os mosteiros, verdadeiros oásis de paz e contemplação, são procurados como reconhecidos sustentáculos e baluartes da fé e dos bons costumes no seu serviço ao povo de Deus. Isso não é – e nem poderia ser – diferente em São José do Rio Pardo, cujos dois primeiros Abades, hoje, servem à Igreja de um modo especial: Dom Orani João Tempesta é Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) e Dom Edmilson Amador Caetano é Bispo da grande Diocese de Guarulhos (SP).

Além de tudo isso, é preciso dizer que leigos, leigas e sacerdotes diocesanos podem, sem deixar a lícita realidade em que vivem, usufruir da riqueza espiritual do Mosteiro como irmão(ã) dos monges na condição de oblatos(as) seculares. Estes fazem, após a devida preparação, a oferta (oblação) de suas vidas a Deus para serem uma extensão da espiritualidade monástica na sociedade do século XXI.

Contudo, todas as pessoas que sabem, realmente, o valor da oração desses homens de Deus para a Igreja podem ajudar o Mosteiro em suas necessidades, com doações materiais, uma vez que há gastos com energia elétrica, remédios, manutenção da construção que tem partes a serem terminadas e outras reformadas com certa urgência etc. Todos os dias os monges rezam nos Ofícios e em uma Missa mensal pelos benfeitores.

Os dados bancários para os interessados em ofertarem suas preciosas ajudas são: Associação Brasileira Cisterciense de São José do Rio Pardo (CNPJ 44.842.326/0001-31). Banco Bradesco. Agência 536. Conta Corrente 15270-6.

Eis um pouco do muito que ainda se pode conhecer da Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, localizada em São José do Rio Pardo, SP, cujos contatos – para hospedagem ou discernimento vocacional – devem ser feitos pelo telefone (19) 3608 4675, de segunda a sexta-feira no horário das 8h às 11h e das 14h15 às 16h. Correio: Abadia Nossa Senhora de São Bernardo, Caixa postal 71, CEP 13720-000, São José do Rio Pardo-SP. E-mail: domabade@hotmail.com. Facebook: Dom Abade Paulo Celso Demartini. Twitter: AbadeDomosteiro. YouTube: Dom Abade Paulo Celso Demartini. Site: abadia.org.br.

Artigos anteriores:

Monges Cistercienses de São José do Rio Pardo (I)

Monges Cistercienses de São José do Rio Pardo (II)