Mons. Celli: o bom samaritano nos ajuda a entender a comunicação

Apresentação à imprensa da Mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 400 visitas

Uma mensagem profundamente "franciscana". Dessa forma definiu hoje mons. Claudio Maria Celli, a Mensagem para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais e o colocou no contexto de outros três discursos do Papa Francisco: o da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais; o dos bispos brasileiros; e o do CELAM; estes dois últimos na viagem ao Rio de Janeiro da JMJ.

Monsenhor Celli, presidente deste Pontifício Conselho, deu nesta manhã algumas chaves de leitura da mensagem na apresentação na coletiva de imprensa. Estas linhas de orientação, indicou, vão juntas com as várias temáticas próprias do mundo da comunicação, ainda que “nesta Mensagem surge também a imagem integral de uma Igreja que quer comunicar, que quer dialogar com o homem e a mulher de hoje na consciência do papel que têm”. Como lembrou Celli, o Papa destacou em várias ocasiões “o tema da cultura do encontro convidando a Igreja e os seus membros a lidar com algumas dimensões e exigências próprias desta cultura”.

Do mesmo modo explicou que a mensagem poderia ser dividida em duas partes. A primeira está dirigida ao mundo “leigo” da comunicação, embora também o Papa oferece reflexões válidas para quem fez uma opção religiosa na sua vida, mas que ao mesmo tempo sentem o profundo valor humano do mundo da comunicação: “comunicar bem nos ajuda a estar mais próximos e a conhecer-nos melhor entre nós, a estar mais unidos”, diz o Papa na Mensagem. A segunda parte está dirigida aos discípulos do Senhor e onde se tocam matizes mais profundos. "Parece-me muito sugestiva a referência à parábola do bom samaritano para ajudar-nos a entender a comunicação em termos de proximidade”, afirmou mons. Celli.

Por outro lado, explicou o motivo de que para ele essa seja uma mensagem profundamente “franciscana”: por causa da sintonia entre a imagem da Igreja tal e como ele a está moldando e o mundo das comunicações. Se a cultura do encontro é atenção e proximidade ao homem, em um diálogo respeitoso deve levar o homem e a mulher de hoje ao encontro com Cristo, explicou Dom Celli.

Finalmente, quis lembrar que esta Mensagem de Francisco é estimulante para o trabalho dos comunicadores e um desafio para todos nós.

Em seguida, participou a professora Chiara Giaccardi, da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão. Na sua intervenção destacou que na comunicação do Papa Francisco os gestos são eloquentes e as palavras são programas de ação. E esclareceu que não se trata de um trocar a palavra pelo gesto, mas de passar das palavras para os fatos, de substituir as belas palavras pelos belos gestos.

Da mesma forma destacou três indicações importantes desta mensagem. Em primeiro lugar a comunicação é uma conquista mais humana do que tecnológica. Em segundo lugar, entender a comunicação em termos de proximidade. E, finalmente, o testemunho: a palavra e a vida estão em profunda sintonia porque o coração se deixou tocar e transformar pelo encontro.

Também a professora parou para refletir sobre a parábola do Bom Samaritano, que o Papa utiliza na mensagem, como uma parábola do comunicador: quem comunica, de fato, se faz próximo. Cuidar do outro quer dizer transmitir com preocupação a mensagem “estou contigo”, antes mesmo de dizer uma palavra. A professora destacou que “somos livres se respondemos a um chamado. A minha liberdade nasce como resposta. O samaritano foi livre, o levita e o sacerdote não”.

Para concluir, Dom Celli, respondendo às perguntas dos jornalistas esclareceu dois aspectos da mensagem. Por um lado perguntaram-lhe sobre a paciência à qual o Papa convida no texto. “Precisamos ser pacientes se queremos entender aqueles que são diferentes de nós”, afirma Francisco.

O presidente do Pontifício Conselho destacou que aqui se fala mais da capacidade de ser homens do que de ser comunicadores. "Vivemos em uma espiral louca, com um ritmo cada vez mais rápido, e o homem percebe que este espiral o destrói”, explicou. E assim, o Papa convidou a redescobrir a nossa dimensão de ser homem e a de quem está ao meu lado.

Logo após perguntaram-lhe sobre outra afirmação de Francisco na sua Mensagem: “Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas”. Sobre isso mons Celli esclareceu que ele não está falando de relativismo, devemos entender que não é a dimensão da fé do Evangelho a que se relativiza, mas como vivo o Evangelho.

(Tradução Thácio Siqueira)