Mons. Paglia: a família existe, desmentidos os profetas da desgraça

O desejo dos jovens ameaçados pela cultura que recompensa mais o indivíduo do que a família. Reproposta a Carta dos Direitos da Família

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 1115 visitas

O bispo Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família; os cônjuges Francesco Dossi e Alfonso Colzani, responsáveis do Serviço para as Famílias da Arquidiocese de Milão, intervieram no passado 4 de Fevereiro na Sala de Imprensa do Vaticano para apresentar: “De Milão à Filadélfia: as perspectivas do Pontifício Conselho para a Família. Apresentação das Atas de Milão 2012”.

Moderado pelo padre Ciro Benedettini, vice-diretor da Sala de Imprensa, o encontro permitiu ao presidente do Pontifício Conselho para a Família, responder e esclarecer uma série de temas urgentes, como as uniões de fato, a manifestação em Paris sobre as uniões gay, a exploração no trabalho, etc.

Ao apresentar as atas de Milão 2012, monsenhor Paglia explicou que “A família existe e está sólida”, desmentindo todos aqueles “profetas de desgraça que previam, ou melhor, desejavam a extinção da família”.

Isto, obviamente, não nega "os muitos problemas relacionados ao matrimônio e à família” sublinhou Paglia. No entanto, acrescentou, “não podemos esquecer, com os dados na mão, que a família ainda é o “recurso” fundamental das nossas sociedades”.

Ela permanece a instituição que “se coloca em primeiro lugar de segurança, de refúgio, de apoio para a própria vida”, e permanece “no topo dos desejos da grande maioria dos jovens”.

Ainda de acordo com as estatísticas, o presidente do Pontifício Conselho para a Família indicou que na Itália cerca de 80% dos jovens declara que prefere o matrimônio (seja civil ou religioso) do que a convivência. E na França, as pesquisas revelam que o 77% dos jovens - a maioria dos quais estão entre os 18 e 24 anos - deseja construir a própria vida familiar, permanecendo com a mesma pessoa por toda a vida.

São dados que nos trazem esperança, embora – afirmou mons. Paglia – minados por “uma nova situação epocal na qual o desejo dos jovens se choca com uma cultura que premia mais o indivíduo do que a família”.

Por esta razão, o Dicastério para a Família propõe uma “reedição” da Carta dos Direitos da Família, a qual, explicou à ZENIT, “mantém toda a sua atualidade apesar de ter sido escrita exatamente há 30 anos”.

A Carta dos Direitos da Família – atualizada com alguns acréscimos propostos por um congresso internacional de especialistas – será apresentada nos próximos dias às Nações Unidas em Nova York e na sede de Genebra. Portanto, será apresentada também ao Parlamento Europeu.

Reafirmando o compromisso da Igreja de recolher esse “patrimônio da humanidade” que é a família, o prelado sublinhou o papel social da instituição familiar que “a Igreja conhece bem”, porque são justamente as famílias “que cuidam dos enfermos, também terminais, dos portadores de deficiência e assim por diante".

Neste contexto, o Pontifício Conselho se moverá em duas direções: uma dentro da Igreja de modo que ela “retome o seu lugar central na sociedade”, porque “se deixada sozinha não resiste”.

O compromisso será orientado, portanto, a “dar força à iniciação cristã e ao sacramento do matrimônio”, intervindo “quando houver feridas” e evitando “prolongamentos que não facilitam o seu papel”.

A outra importante "missão" do Dicastério será realizada no campo cultural. "A cultura tem abandonado a família - disse mons. Paglia -. Os jovens não se casam porque a família é sentida mais como um fardo do que como uma perspectiva. "

Devemos, portanto, "deixar claro que o amor entre marido e mulher é para sempre, não só aquele pela Roma ou pela Lacio”.

Francesca Dossi e Alfonso Colzani, cônjuges responsáveis ​​pelo serviço às famílias do Encontro de Milão, apresentaram o livro que contém as atas da reunião com o título: A família: o trabalho e a festa”.

Entre as intervenções que animaram as jornadas de Milão, e que o livro recolhe, destaca-se aquela de Bento XVI, que em 9 ocasiões falou da realidade familiar em todas as suas dimensões, e as discussões dos 98 relatórios provenientes de todo o mundo, alguns participando com as suas específicas palestras, outros participando das Mesas redondas.

Recordando "a forte presença do Santo Padre," os relatores afirmaram que “foi um momento de completude petrina, de sentir a Igreja unida e una e com a consciência de ser família na fé, e que a família é o primeiro lugar da fé, não somente cronologicamente, mas também o lugar no qual é possível experimentar as bençãos de Deus”.

Interrogado sobre outros tipos de união, mons. Paglia respondeu que isso “é um terreno que a política deve percorrer com muita clareza, porque a encruzilhada da sociedade e o entrelaçamento das gerações acontece no coração das famílias”.

Mais especificamente, falando das uniões homossexuais, o bispo lembrou “a igual dignidade de todos, porque todos somos filhos de Deus”, mas ao mesmo tempo ressaltou que “a família é formada por um homem e uma mulher” e que “não se pode chamar matrimônio uma união justificada somente pelo afeto”.

"Se cinco homens têm afeição um pelo outro, ou se um pai tem carinho por sua filha, isso não pode ser considerado matrimônio” disse. Portanto, acrescentou, “o respeito pela verdade não requer a remoção das diferenças nem um igualitarismo doente que elimina toda diferença".

"O arquipélago das situações afetivas existentes”, concluiu Paglia, “encontra solução no direito já existente”.

Sobre a pergunta se “dois pais têm direito a um filho”, o bispo ironicamente respondeu: “De nenhuma maneira estamos num supermercado, o filho é um dom. Tudo isso não pode ser destruído. A Igreja continuará a dizer a verdade com muita sinceridade, defendendo todos os direitos, em todos os países”.

Um último pensamento foi posteriormente dirigido ao "Manif Pour Tous", a mobilização em defesa da família natural que, há algumas semanas, reuniu cerca de um milhão de pessoas em Paris. A este respeito, Mons. Paglia disse: "Temos de prestar homenagem aos bispos franceses, que reabriram o debate", lembrando também as outras autoridades que aderiram à iniciativa, entre as quais o Grande Rabino da França, homens de cultura e representantes de outras religiões.