Morre a última vidente de Cimbres, no agreste pernambucano

O teor das aparições de Cimbres da enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria

Recife, (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb | 1360 visitas

No domingo, dia 13 de Outubro de 2013, faleceu a última vidente, Irmã Adélia, das supostas aparições do Sítio Guarda, município de Cimbres, cidade de Pesqueira, no agreste pernambucano. No nosso artigo, cf.  http://www.zenit.org/pt/articles/maria-e-a-graca, delineamos alguns aspectos teológico desta suposta aparição da Virgem Maria às duas protagonistas Maria da Luz Teixeira de Carvalho (Ir. Adélia) e Maria da Conceição († 1998). As duas jovens foram porta-vozes de mensagens até hoje desconhecidas e nunca aprofundadas pela Igreja, seja da diocese de onde elas pertenciam seja de um modo geral.

Em 1936 Nossa Senhora aparece a duas pobres meninas, tendo como intermediário dois sacerdotes alemães que de início foram investigar os fatos por mandato do bispo local. Foram eles, monsenhor José Kehrle († 1978), vigário geral da Diocese de Pesqueira na época e frei Estevão Rottiger,ofm († 1952), pároco de Alagoinhas, município vizinho. O primeiro sacerdote faleceu no dia em que se comemora a 1ª aparição no Sítio Guarda, 6 de Agosto.

Nossa Senhora ali no Sítio Guarda procurou enfatizar alguns aspectos da vida cristã, tais como a oração e a penitência, o matrimônio, a vida religiosa e sacerdotal, a devoção ao Coração de Jesus e a Ela (4 vezes), o valor da penitência e do sacrifício em prol da própria salvação e do mundo. Questões como a política também entram no mérito do interesse de Nossa Senhora, em particular o seu vigoroso apelo para se combater o Comunismo ateu que já havia entrado nos parâmetros da política brasileira nos anos trinta e que, vinte oito depois viria a ser o motor da Ditadura militar, onde promoveu vítimas, tal qual havia profetizado a Virgem Maria em Cimbres.

Por iniciativa da Virgem Maria, foi deixado no local das aparições uma «Fonte» como sinal de sua presença que, da rocha brota espontaneamente água e muitos, ao longo destes 77 anos se dizem curados.

Como era de se esperar existe na suposta mariofania de Cimbres a chamada “mensagem apocalíptica” onde se apresenta os castigos vindouros caso se persista no pecado, isto é, no afastamento de Deus e no desamor aos irmãos. Porém, toda a mensagem ali dada por Nossa Senhora, a centralidade, não é a desgraça, mas a Graça. Por cerca de dez vezes ela põe realce ao seu nome e ao que ele significa. Ela se diz chamar: Eu sou a graça (duas vezes)… Da graça (duas vezes)… Mãe da Divina Graça (oito vezes)… Medianeira de todas as graças (três vezes)… Medianeira de todas as graças também da última para a hora da nossa morte! (duas vezes) Quer ser invocada ali como Nossa Senhora das graças (duas vezes). Outros títulos não menos significativos e dão sentido aos anteriores: Mãe do céu (uma vez)… Mãe do nosso salvador (uma vez)… Mãe de [Jesus] Cristo (três vezes).

Estes títulos são conhecidos pela piedade mariana, mas nunca reclamados o direito pessoal em alguma aparição mariana. Ora, Nossa Senhora em Cimbres, parece sublinhar o que a própria Igreja celebrava desde 1921 com a instituição de uma festa litúrgica ao título de «Maria, Medianeira de todas as graças» e que ainda hoje é presente na liturgia na Coletânea de Missas de Nossa Senhora promulgado pelo papa João Paulo II no Ano mariano de 1987. O próprio Concílio Vaticano II afirma que: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo” (Lumen Gentium, 62).

O teor das aparições de Cimbres dá enfase ao tema da Mediação/Intercessão de Maria. Tema controverso na Igreja, mas não impossível de se estudar e dialogar. É público e notório que a dois milênios, a eficácia da mediação/intercessão de Maria a favor do povo de Deus pertence ao património espiritual da Igreja. Embora se insista que tal temática não é biblicamente explicita, levemos em consideração que os Santos são nossos intercessores (cf. 1Cor 12,12.20s; Ap 5,8; Ex 32,11.14; 1Sm 7,8-10; Rm 15,30; Ef 6,18s; 1Ts 5,25; Hb 13,18; Tg 5,16). Temos comunhão com eles (cf. 1Cor 12,26s). Estão com Cristo no céu (cf. 2Cor 5,1-8; Fl 1,23s; Ap 4,4; 6,9; 7,9.14s; 14,1-4; 19,1-6; 20,4). Deus opera milagres por meio deles (cf. Ex 8,9-11,10; 1Rs 17-18; 2Rs 2,8.14.21; Mc 6,13; At 3,6; 5,15; 14,7; 19,11s; Tg 5,17). O que dizer então da Mãe do Senhor?

Com a morte da última vidente de Cimbres, Ir. Adélia e mesmo antes, se deu início a estudos que podem aclarar, informar melhor os fatos. Nas nossas pesquisas detectamos que as supostas aparições no Sítio Guarda é uma renovação e continuação de outras aparições de Maria reconhecidas pela Igreja, tais como: a Medalha Milagrosa, a Afonso Ratisbona, La Salette, Lourdes, Pellevoisin, Pontmain, Knock, Fátima e outras.

A Igreja celeste apela a Igreja terrestre sua plena participação e fidelidade ao Amor.

Enquanto a nossa infidelidade perdurar, o Amor será fiel e manifestará sua ação misericordiosa através do rosto materno de Deus: Maria.