Mudanças na missão latino-americana de Roma

Fiéis e autoridades se despedem de capelão e recebem seu substituto

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José Antonio Varela Vidal

ROMA, quarta-feira, 3 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Depois de 12 anos de trabalho entre os latino-americanos residentes em Roma, o padre escalabriniano italiano Antonio Guidolin deixou o cargo de capelão, para o qual tinha sido nomeado pelo beato João Paulo II. Sabe-se hoje que o próprio padre Guidolin tinha pedido ao pontífice um templo onde reunir os migrantes, que, apesar da distância de suas terras e famílias, mantinham muito vivas as suas crenças e devoções.

Assim, pouco a pouco, pedra sobre pedra, foi sendo reconstruída a igreja Santa Maria da Luz, no antigo bairro do Trastevere, que tinha ficado fechada durante quase um século. A igreja não apenas foi preparada para acolher os fiéis estrangeiros, mas foi também se enchendo de quadros e de imagens das diversas devoções dos migrantes a Cristo e a Nossa Senhora, as mesmas com que se reza e se celebra nos países da América Latina e do Caribe.

Entre as manifestações de piedade popular, recebeu digno lugar o “Senhor dos Milagres”, uma centenária devoção peruana que hoje conta com um tríduo de celebrações todo mês de outubro. Este ano, o tríduo começa no próximo sábado, 6, com uma missa de vigília oficiada pelo presidente do episcopado peruano. Já no domingo, 7, uma popular procissão, assim como em Lima e em outras centenas de cidades do mundo, tinge as ruas de roxo graças aos hábitos e vestidos que os fiéis usam como sinal de penitência e de humildade.

Reconhecimento e gratidão

E o dia que ninguém queria acabou chegando. Foi no domingo passado, quando fiéis e autoridades abarrotaram o templo latino-americano para uma missa de ação de graças pelo ministério do padre Guidolin, com quem rezaram, cantaram e choraram.

Ali, não fomos só testemunhas, pela primeira vez, de que o enérgico e sempre decidido padre Antonio também chora, mas soubemos também a sua idade: 77 anos. E é por causa dessa idade que ele se aposenta, como manda a legislação canônica. Também soubemos que ele era poeta, e dos bons, porque, dos seus próprios lábios, brotaram quartetos e tercetos emotivos sobre o seu longo ministério entre os migrantes.

A eucaristia foi presidida pelo padre Alessandro Gazzola, superior regional dos escalabrinianos para a Europa e a África. Gazzola dedicou palavras de gratidão ao padre Guidolin, assegurando a continuidade da missão latino-americana com a chegada do novo capelão, já ali presente: o também escalabriniano padre Luis Olivos, de nacionalidade chilena, que chega a Roma transferido da Espanha.

A ocasião foi propícia para que a autoridade religiosa informasse aos fiéis que o vice-capelão para a comunidade brasileira, padre Sérgio Durigon, deixa o cargo para fazer estudos de atualização e ser enviado a uma nova missão dos filhos do beato Scalabrini.

Participou da cerimônia, como representante do Vicariato de Roma, dom Pierpaolo Felicolo, diretor do Departamento de Migrantes e amigo há muitos anos da comunidade latino-americana do Trastevere. Durante as palavras alusivas, o padre Felicolo transmitiu a gratidão do vigário de Sua Santidade para Roma, cardeal Agostino Vallini, pelo trabalho pastoral do padre Antonio, um “homem de fé, que, com boa pastoral orgânica, permitiu que centenas de migrantes encontrassem um caminho espiritual, além de ajudá-los em suas necessidades materiais”.

No final da cerimônia, junto com os testemunhos de leigos representantes de alguns países, o padre Guidolin recebeu a homenagem da República de El Salvador, através da embaixada do país perante a Santa Sé, assim como do Conselho Adjunto dos Estrangeiros do Município de Roma.

(Trad.ZENIT)