Mudanças na realidade exigem mudanças na cultura

Arcebispo comenta “desvalores” que enfraquecem um povo

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 27 de maio de 2011 (ZENIT.org) - A cultura, entendida como “estilo de vida comum”, refere-se “ao conjunto de valores que animam a totalidade da vida de um povo”. No Brasil, para se alcançar as mudanças que a realidade exige, é preciso mudar determinadas culturas semeadas no tecido social e político.

O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, fala sobre esse tema em artigo divulgado à imprensa nesta sexta-feira. 

Segundo Dom Walmor, a cultura também evidencia os “desvalores” que enfraquecem um povo, “formando determinada consciência coletiva, definindo costumes, configurando instituições e seus funcionamentos, moldando práticas e dinâmicas da convivência social”.

“É um exemplo ilustrador considerar a cultura de massa para sublinhar o próprio de sua qualidade, tais como espetáculos de revistas, telenovelas, histórias em quadrinhos, e até música popular, balizando uma vida marcada por superficialidade, repetição de situações óbvias e; seja pensada especialmente - em razão da seriedade - a exploração dos gostos mais banais do público.”

“Essa consideração e de outros âmbitos explicitam o quanto é importante o entendimento da realidade à luz da cultura com suas dinâmicas”, afirma.

É oportuno localizar sob essa luz – prossegue Dom Walmor – “a avalanche de questões que incomodam a sociedade brasileira e nela perpetua atrasos, mesmo emoldurada por oportunidades singulares quanto ao crescimento econômico, até nas nebulosidades presentes, a existência de clarividências políticas”.

“Há uma antífona cantada em todos os cantos do país a respeito dos retardamentos quanto à infraestrutura para que o Brasil hospede, de forma adequada, grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas, em 2016.” 

“Também, necessidades na infraestrutura para a vida de hoje e de amanhã do povo brasileiro, gritam urgências, quando se pensa em aeroportos, estradas e outras demandas básicas como a lucidez na política habitacional para responder à defasagem dos sem-casa, dos que vivem em situação de risco e de desrespeito à dignidade”, afirma.

Há – afirma o arcebispo – uma “burocratização congênita que inviabiliza respostas e impede o usufruto de oportunidades de desenvolvimento compartilhado para mudar cenários sociais, incompatíveis com conquistas do próprio Estado”.

“A lucidez de gestores e de governantes tem sido empacada pela falta de escalões capazes de avançar nas oportunidades deste tempo e nesta sociedade.”

“É interessante - para mostrar o quanto a realidade está vinculada, impulsionada ou amordaçada pela cultura - ouvir nas conversas, mesmo nos estratos populares, perguntas como: por que os japoneses já refizeram em tempo recorde as estradas mais danificadas pelo tsunami acontecido há poucos meses, e aqui é preciso muitos meses para fazer uma ponte?”

“Por que se adiam, várias vezes, a inauguração de viaduto e outras? Não menos graves são os entendimentos que pautam o proceder no ‘cartorialismo’, nas barganhas, ou ainda, na cultura de ‘mexer os pauzinhos’, esconder a verdade e solapar propostas, indicando o quanto é preciso mudanças na cultura para alavancar mudanças urgentes na realidade”, afirma o arcebispo. 

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Na internet, íntegra do artigo: http://www.arquidiocesebh.org.br/