Muitas leis democráticas exigem objeção de consciência

Fala Stefano Fontana, diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân

| 784 visitas

VERONA, terça-feira, 6 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- «Os casos de aborto e de eutanásia não são os únicos que exigem a objeção de consciência», adverte Stefano Fontana, diretor do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân (www.vanthuanobservatory.org), foco de promoção da doutrina social da Igreja.



O último boletim do Observatório, de sexta-feira passada, converte-se em porta-voz dessa realidade, publicando um comentário com o título «A objeção de consciência é um problema político. Sociedade democrática, relativismo e objeção de consciência».

«O relativismo que guia freqüentemente a legislação nos países ocidentais situa o cristão diante de novos problemas de consciência – constata. É o caso de leis que legalizam o aborto ou a eutanásia.»

Recorda que João Paulo II indicou que «leis desse tipo não só não criam nenhuma obrigação de consciência, mas, pelo contrário, estabelecem uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas mediante a objeção de consciência («Evangelium vitae», 73).

Mas estes casos «não são já os únicos que exigem a objeção de consciência», aponta Fontana, aludindo ao recente discurso no qual Bento XVI sublinhou «a obrigação da objeção de consciência para os farmacêuticos».

«Pensemos em uma enfermeira que trabalha em um hospital no qual se praticam abortos», ou nos «funcionários de um município onde se registram uniões civis de pessoas do mesmo sexo», ou «em um empregado de um laboratório no qual se realizam seleções de embriões humanos», ou os trabalhadores de «editoras ou televisões que produzem material pornográfico», ou «em muitos advogados ou juizes que já se encontram com freqüência diante de situações-limite», exemplifica o diretor do citado Observatório Internacional.

Assim, «a objeção de consciência já é um problema político», considera.

Daí que seja necessário, em sua opinião, «empreender uma profunda reflexão sobre a objeção de consciência em política, vista como ‘resistência’, mas também como ‘renovação’, isto é, como um empenho não só negativo, mas também positivo e propositivo».

Stefano Fontana denuncia que, ao mesmo ritmo em que se «ampliam os casos nos quais se está chamado à objeção de consciência, assiste-se também a freqüentes negações desse direito».

«Ambas coisas se devem ao relativismo, que mostra assim sua íntima contradição», sintetiza.

O relativismo – explica – «propõe uma liberdade de consciência quase total, mas se um funcionário municipal rejeita registrar um casal homossexual, esse mesmo relativismo o impediria»: «denunciaria essa liberdade de consciência como imposição e violência para a liberdade de consciência».

Trata-se «de um dos aspectos mais sutis da ‘ditadura do relativismo’», conclui.