Muitos britânicos afetados pela “depressão pós-papal”

Viagem de Bento XVI ao Reino Unido teve grande êxito

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Por Luis Badilla*

ROMA, quinta-feira, 23 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Anna Arco, vaticanista britânica, colaboradora de numerosas publicações especializadas, confessou sofrer de “ppd”, quer dizer, post papal depression.

Talvez, na grande quantidade de artigos escritos para fazer um balanço dos quatro dias de Bento XVI no Reino Unido, não haja expressão melhor para transmitir a ideia do êxito pastoral, eclesial, espiritual e humano da visita do Papa.

Os primeiros a se surpreenderem com o êxito – segundo escreve Fiona Ehlers, no Der Spiegel (online) –, nem sempre tão carinhosos com Bento XVI, foram os cidadãos britânicos. Entre os críticos circula uma só ideia, como disse Damian Thompson, no The Telegraph: "Um verdadeiro triunfo pessoal".

Por quê? As razões são muitas, mas a primeira é uma só: os britânicos viram “as coisas como elas são”, a verdade, e já não o que certo jornalismo muito elegante, culto e assinado transmitiu durante alguns meses, às vezes contra toda evidência e nem sempre respeitando a verdade.

Viram o Papa (centenas de milhares ao vivo e alguns milhões pela televisão). Escutaram-no falar, em diversas circunstâncias, e sobre muitos temas que são importantes para as pessoas simples que têm sede de pensamento e de seriedade.

Depois, há outra razão que não se deve esquecer: a sociedade britânica, como todas as demais sociedades europeias, atravessa um período, já muito longo e devastador, de superficialidade existencial, e sente profundamente, com dor e aflição, a falta de um projeto, de futuro, de utopia, em uma palavra: de humanidade (e de humanismo), dentro da qual cada um é pessoa e não só cidadão, eleitor, usuário ou consumidor.

Bento XVI não foi para conquistar votos, para vender perfumes ou carros de luxo, nem para dizer o contrário do que pensa.

O objetivo, como disse seu porta-voz, padre Federico Lombardi, foi propor “a mensagem da fé como algo positivo”, propor reflexões para poder discernir, para poder compreender a situação em que nos encontramos hoje historicamente como sociedade, como mundo, perante os grandes desafios de hoje e do futuro, a que valores podem nos orientar, aos riscos também de perder a orientação dos valores essenciais”.

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*Criador e diretor de Il Sismografo