Museus Vaticanos: da carruagem papal à Fórmula 1

Volante usado por Michael Schumacher foi doado a Bento XVI, o "piloto da cristandade"

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CIDADE DO VATICANO, sábado, 20 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Os Museus Vaticanos contam com uma nova instalação. O pavilhão de carros, remodelado, conta com algumas novidades, entre as quais o Fiat 1107 Nuova Campagnola, em que João Paulo II sofreu o atentado de 13 de maio de 1981. A nova instalação foi apresentada no trigésimo quarto aniversário da eleição do papa Wojtyla.

Destaque histórico do museu é a imponente carruagem de gala, encomendada em 1826 pelo papa Leão XII e enriquecida pelo papa Gregório XVI, em 1841.
Todos os veículos constituem um raro testemunho histórico da mobilidade pontifícia, que sofreu uma brusca interrupção com a tomada de Roma em 20 de setembro de 1870 e a sua anexação ao Reino da Itália. Durante 59 anos, de 1870 a 1929, ano em que foram assinados os pactos lateranenses, os papas jamais saíram do Vaticano.

A primeira vez que um papa se locomoveu de carruagem para tomar posse do sólio pontifício foi no dia 24 de novembro de 1801. Antes, os papas cavalgavam sobre uma mula ou eram transportados de liteira. Pio VII partiu de carruagem, em procissão saída do Quirinal, que antes era o palácio dos papas, até a basílica de São João de Latrão. Seu predecessor, Pio VI, também de carruagem, tinha tido que abandonar Roma para ser levado até a França como prisioneiro de Napoleão.

Depois da anexação de Roma, que fazia parte dos Estados Pontifícios, ao Reino da Itália, a solene cavalgada foi suspensa, assim como muitas outras cerimônias.
Desde o pontificado de Leão XIII até o de Pio XI, por exemplo, o anúncio do habemus papam e a bênção do novo pontífice não eram feitos da sacada da basílica voltada para a praça de São Pedro, e sim para o interior da própria basílica.
Após a assinatura dos pactos lateranenses, em 11 de fevereiro de 1929, a forma tradicional de tomada de posse foi restaurada. Mas os tempos tinham mudado: em 1939, Pio XII já usou um automóvel.

Em 1909, o arcebispo de Nova Iorque presentou um Itala 20/30 a Pio X. O papa não usou o presente, preferindo fazer seus passeios pelos Jardins Vaticanos em uma menos barulhenta carruagem.

O primeiro automóvel entrou no Vaticano pouco depois do início do pontificado de Pio XI. A Associação de Mulheres Católicas da Arquidiocese de Milão doou ao papa um Bianchi Tipo 15. Mas, dado que a questão da soberania do Vaticano ainda não estava resolvida, o carro acabou recebendo uma placa do Corpo Diplomático (CD 404). Depois deste episódio, a montadora italiana Bianchi doou a Pio XI uma Bianchi Tipo 20, obtendo assim o título de "provedora pontifícia".

Com os pactos lateranenses, as principais empresas fabricantes de carros competiam em âmbito internacional para presentear ao papa os seus melhores modelos. Em 21 de abril de 1929, chegou o Fiat 525M; em 1º de maio, o Isotta Fraschini 8; em 22 de dezembro, o Graham Paige 837. Em 9 de junho de 1930, passou a fazer parte da frota vaticana o Citroën Lictoria Sex, projetado para o papa e construído com os padrões da carruagem pontifícia.

Finalmente, em 14 de novembro de 1930, chegou o primeiro Mercedes, um 460 Nürburg Limousine, desenhado por Ferdinand Porsche. A partir de 1931, os automóveis substituíram as carruagens e foi criado o Registro Automobilístico do Vaticano.

Em consonância com a mudança dos tempos, chegou depois do Jubileu de 1975 o primeiro "papamóvel", o veículo branco utilizado pelo pontífice para os breves itinerários junto à multidão de fiéis.

Entre os novos exemplares, destaca-se ainda um Fusca, presenteado em 2004 a João Paulo II pelo presidente da Volkswagen do México. O modelo é último de uma série limitada de três mil unidades, após a qual os populares carros alemães, que remontavam a 1930, deixaram de ser fabricados.

E mais surpresas: o volante do carro de Fórmula 1 da Ferrari de 2003, usado por Michael Schumacher, foi doado a Bento XVI pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, com a dedicatória: "O volante do Campeão do Mundo de F1, a Sua Santidade Bento XVI, piloto da cristandade". Ao receber o presente, o papa agradeceu fazendo um paralelismo entre a sofisticada tecnologia daquele volante e a "complexidade de dirigir a Igreja".


(Trad.ZENIT)