Musical leva ao palco jovens em recuperação de dependência química

Chega a São Paulo o musical internacional Streetlight

São Paulo, (Zenit.org) | 532 visitas

No próximo final de semana, dias 25 e 26 de maio, centenas de jovens que se recuperam da dependência química vivenciarão em São Paulo a experiência única de serem estrelas do espetáculo musical “Streetlight”, da banda internacional Gen Rosso, que será apresentado em outras cinco cidades brasileiras (veja datas e horários abaixo). O show integra o projeto alemão “Forte sem violência”uma iniciativa de fortalecimento da personalidade e da autoestima, que já beneficiou jovens de vários países do mundo. O espetáculo teve sua estreia em Aparecida, dia 15, e após São Paulo, seguirá para Belo Horizonte (5 a 7 de junho), São Luís (18 e 19 de junho), Aracajú (5 de julho), Fortaleza (18 e 19 de julho) e Rio de Janeiro (27 de julho). No Rio, o espetáculo acontecerá durante a realização da JMJ, , com a presença do Papa Francisco.

Trazido ao Brasil peloFrei Hans Stapel, fundador da Fazenda da Esperança, o projeto dará oportunidade aos jovens em tratamento de serem protagonistas do espetáculo.  “Quando decidem pela não dependência, tornam-se protagonistas de suas próprias vidas”, afirma o Frei. Os jovens estarão inseridos no musical “Streetlight”, da banda internacional Gen Rosso, que narra a história verídica de um rapaz que luta para escapar da violência.

A preparação foi realizada em várias oficinas, em que foram exploradas as diferentes expressões artísticas e técnicas (canto, dança, instrumental, teatro, lay-out de palcos, técnica de luz e som etc). Nelas, os jovens, em fase final de recuperação, aprenderam noções técnicas e artísticas, descobrindo e desenvolvendo talentos e, consequentemente, elevando sua autoestima.

Os participantes foram selecionados nas diferentes unidades terapêuticas, como as da Fazenda da Esperança, uma das mais bem sucedidas experiências em recuperação de dependentes químicos do mundo, cuja metodologia baseia-se em três pilares: espiritualidade, trabalho e convivência.

“Forte sem violência” foi idealizado pelo pedagogo alemão Mathias Kaps, fundador da Starkmacher, empresa responsável pelo projeto. Preocupado com a violência entre os jovens e a falta de diálogo entre alunos e professores, resolveu agir. “Assim, nasceu a ideia de reforçar a personalidade dos jovens e fazê-los protagonistas, criando um clima de confiança, uma atmosfera em que eles se sintam amados”, relembra Kaps.

“Fazer com que o jovem se sinta forte e possa descobrir o próprio talento e o que ele tem de bom para dar. Assim, eles alcançam seus objetivos pessoais, mas também contribuem com um mundo melhor”, explica Teresa Parlasca, coordenadora do projeto, que tem como conceito tornar fortes os jovens contra a violência, a exclusão, o bullying, as drogas e também contra muitas experiências diárias, sutis, massificadoras e traumatizantes.

A metodologia aplicada nos workshops baseia-se nos estudos de Wolfgang Knörzer, Doutor em Educação pela Universidade de Heidelberg, onde foi responsável por elaborar o Treinamento das Habilidades de Heidelberg (HKT, em alemão Heidelberger Kompetenztraining). HKT é uma formação teórica e mental, que visa a dar estratégias mentais adequadas e habilidades que ajudam a alcançar seus próprios objetivos, uma espécie de fortalecimento da personalidade, um método para tornar conscientes as próprias forças e desenvolver problemas positivamente.

Antes mesmo da estreia nos palcos, o projeto já havia mudado a vida dos jovens brasileiros: usuária de drogas desde os 14 anos, após ter deixado os estudos para ajudar a mãe a cuidar dos irmãos, Maria E. L. sabe bem o que é esse universo. Passou por um grande trauma ao perder o namorado, também usuário, tentou se matar, mas hoje se recupera na Fazenda de Guaratinguetá (interior de São Paulo). Para ela, “Forte Sem Violência” é um projeto importante para o futuro de muita gente. “Com ele, posso mostrar pra todos que é possível ser diferente. Além disso, é uma oportunidade para nós, pessoas excluídas do mundo, com autoestima baixa”, relata.

Adelson, brasileiro integrante do Gen Rosso, ressalta o clima de amor recíproco que se cria como o mais importante fator durante os workshops, nos quais os jovens aprendem as técnicas de dança, canto, percussão e até de bastidores para o show. “Esse é o objetivo do projeto. Não é preparar um show, porque um show tantas pessoas fazem, até melhor, mais bonito. Mas não tem esse elemento a mais, como no nosso espetáculo”, revela o artista.

Com a apresentação do musical, ponto central do projeto, “Forte Sem Violência” busca questionar a sociedade sobre a problemática das drogas, dando os exemplos de recuperação da Fazenda da Esperança e mostrando que há soluções para este problema, que está assolando os lares brasileiros de todas as classes sociais. Para o fundador da Fazenda, a sociedade deve acreditar que existe cura para estes jovens. “Não podemos taxá-los e dizer que são bandidos e precisam ser presos ou até morrer. Essa não é a solução! Precisamos dar uma chance para eles descobrirem os valores que têm”, afirma Frei Hans.

Os jovens participantes do projeto partilham experiências de exclusão, foram menosprezados e discriminados. Antes, viviam nas ruas, envolvidos em atividades ilegais. Todos, de diferentes maneiras, estavam envolvidos com a violência. Mas agora, têm a perspectiva de mudança em suas vidas. Com essa iniciativa, os jovens descobrem o próprio talento, desenvolvem a inteligência e elevam a sua autoestima. Isso os faz se sentirem fortes, sem precisar usar da violência.

Para Dora E. A., o projeto ajuda a acreditar em si mesmo. “Olha só, vou me apresentar pro Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude. Vou mostrar ao mundo algo que aprendi”, diz emocionada, mencionando o fechamento do projeto, que será no Rio de Janeiro, no dia 27 de julho, onde o público esperado será de 2,5 milhões de pessoas.

Para saber mais sobre o projeto "Forte sem violência"e o espetáculo "Streelight", acesse www.fortesemviolencia.org.br