“Na escola católica, não soubemos apresentar uma alternativa”

Cardeal Cañizares abre congresso sobre educação em Valência

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VALÊNCIA, quinta-feira, 29 de abril de 2010 (ZENIT.org). – O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Antonio Cañizares, reconheceu que a escola católica não soube apresentar um alternativa, e sublinhou a necessidade de se promover uma nova visão do homem e da mulher. A declaração foi feita na conferência de abertura do III Congresso Internacional de Educação Católica para o século XXI, promovido pela Universidade Católica de Valência San Vicente Mártir.

“Devemos reconhecer que na escola católica não soubemos apresentar uma alternativa e é necessário faze-lo, pois a escola católica tem uma concepção nova de homem e mulher a oferecer, voltada para o futuro e para a esperança”, declarou.

A este propósito, o purpurado convidou a fazer “um exame de consciência” diante do fato de que 30% da sociedade espanhola foi educada na escola católica “e não se verifica sua incidência em tudo o que vem ocorrendo em nossa sociedade”.

Este percentual “deveria contribuir para que nossa cultura não fosse uma cultura de morte ou uma cultura relativista, mas sim uma cultura do amor e da verdade que nos torna livres”.

Em “tempos de indigência” e de “crise de sentido e de verdade”, a escola católica “não pode assumir um papel de neutralidade”, mas deve “remar contra a corrente”, observou.

Para o prefeito da Congregação vaticana, a escola católica deve ser “uma escola revolucionária e livre, porque o mundo necessita de uma mudança decisiva, sem a qual não haverá futuro”.

Segundo o cardeal Cañizares, o “pior dos males” em nossa sociedade atual é “não se saber mais o que é moralmente bom e moralmente válido”.

Dificuldades

Analisando o atual momento educacional, o cardeal sublinhou que dificuldade em se “educar em uma sociedade que admite o aborto”, com “leis contrárias à família” e “uma televisão como a que dispomos atualmente, pela qual se difunde uma visão de homem de todo contrária à dignidade da pessoa humana”.

O purpurado referiu-se ainda ao “injusto sistema social”, com “ricos sempre cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres”.

O sistemas educacionais atuais, acrescentou, falharam porque “não foram capazes de responder adequadamente à questão e às exigências da educação”.

No que diz respeito à Espanha, o cardeal Cañizares referiu-se à lei espanhola da educação “como uma das maiores falhas da sociedade espanhola, pelo predomínio da razão instrumental em detrimento do exercício da razão na busca pela verdade, que enterra as questões mais fundamentais a respeito do ser humano”.

Jesus Cristo no centro

A escola católica “deve contribuir para uma nova humanidade na síntese entre fé e razão”, prosseguiu, destacando que “ao centro da concepção cristã da escola católica está Jesus Cristo, e sua mensagem de salvação”.

Segundo o purpurado, nas escolas católicas não deve tão somente se processar “um ensinamento de valores”, mas também “da arte de viver, que está na base da evangelização”.

“Não há porque temer a liberdade, pois a escola católica tem a vocção de transformar a sociedade”, disse ainda.

Dirigindo-se as professores, o cardeal Cañizares enfatizou a importância da “coerência” no exercício de sua função.

“Não se trata apenas de ensinar, mas principalmente de testemunhar aquilo que ofertamos: a arte de viver, a humanidade nova”, indicou.

O congresso, realizado em Valência entre os dias 26 e 28 de abril, abordou a questão da infância com fase fundamental na constituição da personalidade da pessoa e portanto, foco prioritário de atuação no contexto da atual “emergência educacional”.