Na minha opinião este Papa não será conhecido nem como teólogo, nem como homem de oração, mas será lembrado como santo

Entrevista com Pe. Hélio Luciano

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1560 visitas

Em entrevista a ZENIT o especialista em bioética, Pe. Hélio Luciano, membro da comissão de bioética da CNBB, reflete sobre a importância do pontificado de Bento XVI.

Publicamos na íntegra:

ZENITQual a importância de Bento XVI para a defesa da vida?

Pe. Hélio Luciano: Creio que a importância do Santo Padre Bento XVI não pode ser medida em uma simples área isolada, como a defesa da vida. Santo Tomás de Aquino dizia que a teologia é “átoma”, ou seja, indivisível. Ratzinger – e consequentemente Bento XVI – possivelmente seja  um dos últimos teólogos que conseguiu considerar a teologia deste modo, como um todo. Um claro exemplo disso é a vasta produção teológica – em todas as áreas da teologia – realizada por ele. Nesta imensa e completa obra teológica e humana, o ainda atual Papa contribuiu para o desenvolvimento intelectual de toda a humanidade, sendo que a defesa da vida – tema considerado importantíssimo por ele – foi apenas uma dessas áreas.

ZENIT: Quais documentos ou discursos dele ajudaram na defesa da vida? Bento XVI tem acrescentado em algo nos estudos bioéticos?

Pe. Hélio Luciano: Não seria um exagero considerar que o pontificado de João Paulo II e o de Bento XVI foram de um certo modo unitário e contínuo. Deste modo, todos os discursos e documentos destes Romanos Pontífices, nos últimos trinta anos, tem profunda ligação com ambos. Nas questões relacionadas à defesa da vida e com a bioética podemos destacar alguns documentos – dentre muitos – como a Iura et Bona, a Donum Vitae, a Evangelium Vitae, a Dignitas Personae, todos os discursos às Academias Pontifícias das Ciências e para a Vida. Estes dois Papas foram muito claros em tudo que diz respeito à defesa da vida, sem deixar lugar às dúvidas, mas ao mesmo tempo, sem nenhum tipo de rigorismo. Por essa defesa da verdade – que faz parte do lema episcopal de Bento XVI – foi muito criticado tanto pelos liberais como pelos rigoristas, mais preocupados por ideologias que pela verdade.

ZENIT: Na sua opinião, lembraremos dele como Papa, como teólogo, como homem de oração? Como?

Pe. Hélio Luciano: Na minha opinião este Papa não será conhecido nem como teólogo, nem como homem de oração, mas será lembrado como santo, a quem muitos intelectuais, humanistas, teólogos, filósofos, e homens de boa vontade recorrerão à sua intercessão.