Na minha opinião este Papa não será conhecido nem como teólogo, nem como homem de oração, mas será lembrado como santo

Entrevista com Pe. Hélio Luciano

Brasília, (Zenit.org) Thácio Lincon Soares de Siqueira | 807 visitas

Em entrevista a ZENIT o especialista em bioética, Pe. Hélio Luciano, membro da comissão de bioética da CNBB, reflete sobre a importância do pontificado de Bento XVI.

Publicamos na íntegra:

ZENITQual a importância de Bento XVI para a defesa da vida?

Pe. Hélio Luciano: Creio que a importância do Santo Padre Bento XVI não pode ser medida em uma simples área isolada, como a defesa da vida. Santo Tomás de Aquino dizia que a teologia é “átoma”, ou seja, indivisível. Ratzinger – e consequentemente Bento XVI – possivelmente seja  um dos últimos teólogos que conseguiu considerar a teologia deste modo, como um todo. Um claro exemplo disso é a vasta produção teológica – em todas as áreas da teologia – realizada por ele. Nesta imensa e completa obra teológica e humana, o ainda atual Papa contribuiu para o desenvolvimento intelectual de toda a humanidade, sendo que a defesa da vida – tema considerado importantíssimo por ele – foi apenas uma dessas áreas.

ZENIT: Quais documentos ou discursos dele ajudaram na defesa da vida? Bento XVI tem acrescentado em algo nos estudos bioéticos?

Pe. Hélio Luciano: Não seria um exagero considerar que o pontificado de João Paulo II e o de Bento XVI foram de um certo modo unitário e contínuo. Deste modo, todos os discursos e documentos destes Romanos Pontífices, nos últimos trinta anos, tem profunda ligação com ambos. Nas questões relacionadas à defesa da vida e com a bioética podemos destacar alguns documentos – dentre muitos – como a Iura et Bona, a Donum Vitae, a Evangelium Vitae, a Dignitas Personae, todos os discursos às Academias Pontifícias das Ciências e para a Vida. Estes dois Papas foram muito claros em tudo que diz respeito à defesa da vida, sem deixar lugar às dúvidas, mas ao mesmo tempo, sem nenhum tipo de rigorismo. Por essa defesa da verdade – que faz parte do lema episcopal de Bento XVI – foi muito criticado tanto pelos liberais como pelos rigoristas, mais preocupados por ideologias que pela verdade.

ZENIT: Na sua opinião, lembraremos dele como Papa, como teólogo, como homem de oração? Como?

Pe. Hélio Luciano: Na minha opinião este Papa não será conhecido nem como teólogo, nem como homem de oração, mas será lembrado como santo, a quem muitos intelectuais, humanistas, teólogos, filósofos, e homens de boa vontade recorrerão à sua intercessão.