Na Venezuela não se respeitam os direitos humanos

Começa hoje a CII Assembleia Ordinária Plenária da CEV. Em suas palavras de abertura, o cardeal Jorge Urosa fala com força contra o regime que se vive no país

Roma, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 526 visitas

Começou hoje, na Venezuela, a CII Assembleia Ordinária Plenária da Conferência Episcopal. Nas suas palavras de abertura o cardeal Jorge Urosa Savino, presidente da CEV, recordou as importantes figuras de Paulo VI, um Papa que abriu o mundo católico ao diálogo, e do Dr. José Gregório Hernández, mais conhecido como o médico dos pobres, e que hoje deve ser invocado pelo poderoso fator de unidade nacional do país.

“Venezuela pede uma mudança urgente em todos os graus”, disse o prelado, pois “dá tristeza ver o progressivo deterioro das instituições e da convivência entre os cidadãos”.

Nesse ambiente negativo “perdeu-se a confiança mútua. A imagem que se destaca já não é a do abraço de irmãos”, mas sim “a divisão interna dos setores majoritários”. O presidente da CEV afirma que “o país se transformou em um quebra-cabeças muito difícil de se montar”. O país, portanto, precisa de diálogo, mas não de “um diálogo que seja um mecanismo para apaziguar os protestos, mas verdadeiro, com uma agenda visível que conduza a resultados palpáveis”.

Mons. Jorge Urosa denuncia que “na Venezuela não se respeitam os direitos humanos e que a Constituição Nacional e as leis não são a última palavra na administração da justiça, mas a discricionariedade dos juízes e funcionários e os seus interesses por manter o poder, os privilégios, e o controle político da situação”.

Diante de tal situação o cardeal presidente da CEV anima o povo a “derrotar o pessimismo e levantar a esperança”, pois “somos um povo crente, de maioria católica”, disse.

Um pouco do passado recente

Em dezembro do ano passado o presidente Nicolás Maduro – sucessor de Hugo Chaves – comemorava a aprovação do “Plano da Pátria” que traz cinco objetivos para a Venezuela: Defender, expandir e consolidar a independência nacional; continuar a construção do “socialismo do século XXI”; converter a Venezuela em potência econômica, social e política; contribuir para o desenvolvimento de uma nova geopolítica internacional multipolar; e preservar a vida no planeta e contribuir para a “salvação da espécie humana”.

A conferência Episcopal Venezuelana (Cev), no dia 2 de Abril de 2014 emitiu um comunicado no qual condenava duramente o “Plano da Pátria”, “detrás do qual se esconde a promoção de um governo totalitário, que põe em dúvida o seu perfil democrático; as restrições às liberdades cidadãs, em particular, a de informação e opinião; a brutal repressão da dissidência política; a tentativa de ‘pacificação’ por meio da ameaça, da violência verbal e da repressão física”, dentre outros.