Nada antepor a Cristo, nem mesmo o Papado

E agora? O mundo atônito depois do 11 de fevereiro de 2013

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 2059 visitas

E agora? O mundo atônito depois do 11 de fevereiro de 2013. Ajudados pela imprensa nacional e internacional, a cada dia saciamos a nossa curiosidade sobre as “últimas notícias”, minuto a minuto, desse “fato” que marca o nosso século: a renúncia de um Papa. Qual roupa ele vestirá?, onde morará?, seu secretário irá com ele?, será chamado de Bento XVI?, como será a sua convivência com o futuro papa? Quais os reais motivos que o levaram a essa decisão?

Falar da Igreja Católica Apostólica Romana não é o mesmo que falar de um meteoro. Falar da Igreja é referir-se à uma realidade complexa. Se para falar de um meteoro é preciso algum conhecimento prévio, tanto mais para falar da "única Igreja de Cristo"(Constituição Dogmática Lumen Gentium, 8), sociedade visível e espiritual, porque é "uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino”(LG 8).

Neste momento, a maioria dos grandes meios de comunicação estão à busca de novidades, furos jornalisticos, muitos deles se limitando a mostrar os antigos clichês da Igreja e do Papa, permeados de preconceitos, permeados do "humano" da Igreja.

“Nada antepor a Cristo”, nos trouxe à memória tantas vezes Bento XVI, completando esse lema de São Bento com a sua vida: nem sequer o serviço do Papado, "princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão (LG 18)”.

Como foi, porém, a atitude daquele que, por primeiro no mundo, deu essa notícia a um reservado grupo de cardeais: o Papa Bento XVI? Ele nem sequer levantou a cabeça e nem mudou o tom de voz ao dar esse anúncio, lendo com simplicidade e naturalidade a sua declaração de renúncia. No profundo do seu coração soava uma convicção: “a cabeça deste corpo – a Igreja - é Cristo”(LG 7).

“O mundo está atravessando uma grande mudança que não é comparável a nada que já vivemos”, afirmou o cardeal brasileiro Dom João Braz de Aviz, em entrevista ao Estadão, no dia 12 de fevereiro. Para entrever essa mudança, porém, é preciso superar o anedótico dos acontecimentos e olhar para a Igreja Católica Apostólica Romana com um olhar novo; É um excelente momento para ler e meditar a Constituição Dogmática Lumen Gentium, as palavras do Papa e de todos aqueles que com sabedoria observam esses fatos para, em oração, intus leggere este grande acontecimento que marca profundamente o nosso século: o testemunho de um homem que nada antepôs a Cristo, nem mesmo o Papado.