Não apenas ter a Bíblia, mas lê-la, pede cardeal

Dom Odilo Scherer recorda que Sínodo falou de métodos de leitura

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SÃO PAULO, sexta-feira, 7 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, pediu que os católicos não apenas tenham a Bíblia em casa, mas que alimentem o costume de ler o texto sagrado.

Dom Odilo, que foi um dos presidentes delegados da XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, explicou essa quinta-feira, em coletiva de imprensa em São Paulo, que os padres sinodais reconheceram que há um grande analfabetismo bíblico entre os fiéis.

«É importante ter a Bíblia, mas isso não basta, é preciso lê-la», afirmou o arcebispo. Nas proposições do Sínodo encaminhadas ao Papa, alenta-se que todo católico tenha fácil acesso à Bíblia. O evento eclesial também chama a um novo empenho de formação dos fiéis no campo bíblico.

Segundo o cardeal Scherer, é preciso ler a Bíblia de forma adequada. Para isso, o primeiro passo é tomar o texto a partir «da Igreja, da comunidade de fé», pois a Igreja «é a casa da Palavra de Deus, seu endereço certo», afirmou.

Isso evita as leituras «fundamentalistas», que instrumentalizam o texto sagrado para fins alheios a ele. Dom Odilo recordou que o próprio Papa falou da importância de se tomar a Bíblia no contexto da fé da Igreja, respeitando-se o rigor do método histórico-crítico, por um lado, e, por outro, não descuidando da Tradição viva de toda a Igreja.

O arcebispo indicou que os católicos devem ter sempre em mente que a Bíblia tem uma «referência fundamental», Jesus Cristo. Na comunidade de fé, nas paróquias e dioceses, os fiéis devem procurar participar de círculos bíblicos e de outros eventos formativos, para aprofundar no conhecimento do texto sagrado.

Dom Odilo recordou que muitos padres sinodais falaram a respeito dos métodos de leitura da Bíblia. «Falou-se sobre a leitura orante, o método da ação católica –ver, julgar e agir–, o método franciscano, o dos exercícios espirituais de Santo Inácio». Segundo o arcebispo, aprender os métodos de leitura ajuda na hora de ir ao texto.

Agora que as proposições do Sínodo foram entregues ao Papa, espera-se a orientação que virá do pontífice, por meio da exortação apostólica pós-sinodal.

Sobre a responsabilidade de trabalhar na presidência da assembléia sinodal, Dom Odilo destacou que «foi uma grande alegria». O arcebispo confessou que «não foi tão difícil» desempenhar a função, pois «tudo estava muito bem organizado» pela Secretaria do Sínodo». 

Dos 253 membros nomeados para a assembléia, 248 participaram. Esses poucos que faltaram não puderam ir por motivo de doença ou complicação com a viagem. 

Segundo o arcebispo, houve muitos momentos especiais durante o evento. «Já a missa de abertura, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, o concerto da Filarmônica de Viena, a visita do patriarca ortodoxo Bartolomeu I, a missa de encerramento».

«Fico com uma impressão muito rica, muita bonita deste Sínodo», afirmou o cardeal Scherer.