Não basta condenar os outros; é preciso iluminar-se

Arcebispo pede coerência de vida e iluminação da consciência

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 30 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, considera que a indignação diante dos horrores da imoralidade deve remeter todos e cada um ao mais recôndito da própria consciência.

Para ordenar as contradições, o arcebispo indica a coerência de vida e a iluminação da própria consciência. Dom Walmor – em artigo enviado a ZENIT nesta sexta-feira – recorda e ambienta sua reflexão na passagem evangélica da mulher apanhada em adultério.

Diante dos interlocutores que queriam condená-la, Jesus ergue-se e diz: ‘Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!’. “Essa palavra remeteu, de maneira contundente, os conterrâneos de Jesus ao núcleo mais recôndito de sua consciência”, afirma.

“Por que foram embora sem atirar pedras? – questiona o arcebispo. As razões apresentadas para a condenação da mulher estavam afiadas na ponta da língua.”

“Mudaram de posição quando foram remetidos ao espaço sagrado da própria consciência, cuja luz deve iluminar a verdade da conduta de cada um e urgir posturas coerentes e balizadas na verdade do amor. Todos saíram, a começar pelos mais velhos.” 

Segundo Dom Walmor, em questão, “como fenômeno central deste tempo, no horizonte da sociedade contemporânea, está o problema da consciência. Curiosamente, parece contracenar com uma permissividade que tem configurado a sociedade moderna com um anseio de moralidade”.

“Será mesmo anseio de moralidade a ira que se levanta atacando pessoas e instituições depositárias do compromisso e fidelidade nos princípios morais? Não pode ser simples orquestração de ataques para diminuir o poder desfrutado por esta ou aquelas pessoas?”

Dom Walmor afirma que “a indignação diante dos horrores da imoralidade, consequência nefasta de patologias ou de escolhas convenientes e espúrias, remeta os indignados todos e a cada um ao mais recôndito da própria consciência”.

“Este caminho poderá ser o novo que precisa despontar para ordenar as contradições e incoerências que estão tomando conta dos mais diversificados ambientes, instituições e situações.”

“A coragem de atirar pedras supõe uma coerência de vida com força para sustentar a autenticidade que o mundo está reclamando, sob pena de animalização das relações interpessoais a ponto dos absurdos que vão sendo colhidos aqui e acolá.”

Diz o arcebispo: “quem sabe está se abrindo um ciclo novo para a sociedade com a interpelação que nasce da iluminação da própria consciência? Não basta condenar os outros. É preciso iluminar-se”.

(Alexandre Ribeiro)