Não é difícil viver como santos: basta seguir as Bem-aventuranças

Na Missa em Santa Marta, o Papa convida a ler 2-3 vezes o Evangelho de Mateus que relata o "programa" de vida e santidade indicado por Jesus Cristo

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 414 visitas

O cristianismo não é uma teoria, nem uma filosofia ou um conjunto de palavras bonitas. A definição correta foi dada pelo Papa Francisco na homilia da missa de hoje em Santa Marta: "O cristianismo é uma religião prática". E, precisamente, porque prática, é realizada com gestos concretos que seguem o "programa" de vida santa que Jesus Cristo indicou claramente.

São nas bem-aventuranças, listadas pelo evangelista Mateus no Evangelho de hoje, onde o Filho de Deus define o que poderia muito bem ser chamado de "o cartão de identidade do cristão". De fato, observou o Santo Padre, se alguém tinha dúvidas sobre como fazer "para se tornar um bom cristão", as respostas podem ser encontradas bem no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, nos versículos 1-12.

Claro, não são as respostas que alguém esperaria, muito menos soluções açucaradas para viver melhor a vida. Jesus indica palavras e ações claramente "contra corrente" em comparação com o que normalmente “se faz no mundo”, observou Bergoglio.

Cristo, por exemplo, chama de Bem-aventurados “aqueles que choram”, porque – diz – “serão consolados”. Onde "o mundo", no entanto, sugere que "a alegria, a felicidade, a diversão" sejam "a beleza da vida". E que, portanto, é preciso “olhar para o outro lado", quando acontecem “problemas de doenças” ou “de dores na família”. “O mundo não quer chorar – afirmou o Papa – prefere ignorar as situações dolorosas, escondê-las. Somente a pessoa que vê as coisas como são, e chora em seu coração, é feliz e será consolada", com “a consolação de Jesus, não aquela do mundo".

O Senhor também disse: "Bem-aventurados os pobres em espírito", que significa "as riquezas não te garantem nada". Na verdade, acrescentou Francisco, "quando o coração é rico, está tão satisfeito consigo mesmo, que não tem lugar para a Palavra de Deus". Bem-aventurados são, também, os “mansos”, especialmente no mundo atual “que desde o início é um mundo de guerras, um mundo onde, em todos os lugares há ódio". E Jesus - lembrou o Papa - diz: "Nada de guerras, nada de ódio, paz, mansidão”.

Palavras que tomam uma conotação especial pensando no encontro histórico pela paz de ontem nos Jardins Vaticanos, e no abraço entre os presidentes da Palestina e Israel, Abu Mazen e Shimon Peres, diante do olhar satisfeito de Bergoglio.

Mansos, exorta Cristo, porque “com esta mansidão terás como herança a Terra”, destacou o Santo Padre. É verdade que “se eu sou humilde na vida”, os outros “pensarão que eu sou um tolo”; mas não faz nada, “e que pensem o que quiser”, a recompensa é muito maior.

Um pouco a mesma lógica daqueles que “têm fome e sede de justiça”, que “lutam pela justiça, para que haja justiça no mundo”. Também aqueles são descartados da opinião pública, porque hoje - disse o Papa - é muito mais fácil entrar nas rachaduras da corrupção", seguir "aquela política cotidiana do ut dês” onde “tudo é negócio”. “Quantas injustiças” resultam disso, e “quanta gente que sofre por estas injustiças”, exclamou Francisco.

No entanto Jesus, mesmo neste caso, prega o contrário: "Bem-aventurados aqueles que lutam contra essas injustiças". E, junto com eles, também aqueles que foram “perseguidos, simplesmente por ter lutado por justiça".

Mas também os misericordiosos são bem-aventurados, “porque encontrarão misericórdia”. São Bem-aventurados, ou seja, todos “aqueles que perdoam, que compreendem os erros dos outros”, não “aqueles que se vingam”. “Todos nós - disse o Papa - somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem bem-aventurado aquele que vai por este caminho do perdão".

Bem-aventurados também "os puros de coração", que têm "um coração simples, puro, sem sujeiras, um coração que sabe amar com aquela pureza tão bela”, destacou o Santo Padre. Bem-aventurados, por fim, "os pacificadores": também estes bem-aventurados "contracorrentes", porque “é muito normal entre nós sermos agentes de guerras ou agentes de mal-entendidos!", observou o Papa. E, recordando o Tweet de hoje acrescentou: “Quando escuto algo de alguém e vou e conto para outro e faço uma edição maior ainda e passo pra frente... O mundo das fofocas. Essas pessoas que fofocam, não criam paz, são inimigos da paz. Não são bem-aventurados”.

Em suma, as bem-aventuranças que Jesus nos oferece são um verdadeiro "programa de vida", ao mesmo tempo “tão simples, mas tão difícil”. Se alguém, depois, quisesse ‘aprofundar o argumento’, Jesus nos dá também outras indicações”, ou seja, aquele “protocolo sobre o qual nós seremos julgados” relatado, desta vez, por Mateus, no capítulo 25: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava enfermo e me visitastes, na prisão e viestes a ver-me”.

Não é tão complicado "viver a vida cristã em termos de santidade", então: basta abrir a Bíblia, colocar o sinal nessas passagens do Evangelho, e ler atentamente estas “poucas” e “simples” palavras, “práticas para todos”. Porque o cristianismo - disse o Papa - "é uma religião prática: não é para ser pensada, é para ser praticada, para ser realizada”. (Trad.TS)