Não há amor verdadeiro se não se anuncia Cristo

Cardeal Bagnasco incentiva a evangelização e lança alerta contra as "tentativas proselitistas"

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 308 visitas

Ao apresentar o encontro internacional “Testemunhar a fé por meio da caridade”, o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), discorreu sobre alguns dos mais importantes fundamentos do cristianismo.

O congresso, que termina nesta quarta-feira, 6 de novembro, em Trieste, é promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e pelo Conselho Pontifício Cor Unum.

A fé, disse Bagnasco, "é um dom de Deus" que o homem pode aceitar ou não, mas que sempre "se origina do chamado divino e nunca da iniciativa humana". Os homens de hoje, no entanto, "nem sempre captam essa ordem e a invertem, pensando que Deus é um objeto da sua escolha. Mas Deus não concorda em ser um elemento entre outros na vida do homem: se fosse, ele ficaria reduzido a um objeto ou a um ídolo".

A fé sozinha, porém, é insuficiente: ela precisa das obras (cf. Tg 2,26), que são a máxima expressão do amor. "Aquele que não dá fruto na caridade mostra que não acolheu na fé o Cristo, que transforma o homem e faz dele uma nova criatura (cf. 2 Cor 5,17)".

A caridade, não menos do que a fé, tem "caráter responsorial" e se baseia na "livre adesão" do homem ao amor de Deus, cuja expressão máxima é Cristo.

Verdade e caridade, por sua vez, não podem ser mutuamente excludentes: a primeira, sozinha, leva a uma "religiosidade feita de culto, mas não de justiça; feita de dedicação a Deus com as palavras, mas não com o coração; de sacrifícios oferecidos por quem se esqueceu da misericórdia (Os 6,6)".

Por outro lado, a caridade sem a verdade dissemina o relativismo, que esvazia a fé e a leva à "privatização", além de "aviltar a caridade mesma, reduzindo-a a puro sentimentalismo".

A caridade é autêntica e completa somente quando é "plena expressão da fé" e não "mera filantropia": ela deve ser "um sinal do amor recebido de Deus".

Como os milagres de Jesus e dos Apóstolos, "os gestos de caridade dos fiéis não esgotam o seu significado na solidariedade humana que transmitem, mas são sinais, segundo a expressão usada por João Evangelista, porque apontam para realidades mais elevadas e representam um apelo à fé".

O trabalho da caridade, portanto, deve sempre vir acompanhado de uma "forte capacidade evangelizadora", e se fundamenta em "levar o Cristo para aqueles que são socorridos". A fé nos leva a "lançar as redes para a pesca, as redes da Palavra e da caridade; não a fim de ampliar as fileiras da Igreja com intenções proselitistas, mas para trazer o máximo de pessoas ao reino de Cristo", disse Bagnasco.

O serviço da caridade é uma "dimensão constitutiva" e uma "expressão irrenunciável" da missão da Igreja, que, através do amor recíproco dos seus discípulos, "manifesta a sua natureza mais íntima".