"Não pode existir paz sem diálogo", disse Papa Francisco

Em audiência a um grupo de estudantes japoneses, o Papa exorta a sempre buscar um confronto "manso" com as outras pessoas, culturas e religiões, para amadurecer e estabelecer a paz

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 701 visitas

Com o sorriso de sempre, Papa Francisco, acolheu os estudantes do Colégio Seibu Gakuen Bunri Junior High School de Saitama de Tóquio. Recebidos esta manhã em Audiência, juntamente com os seus professores, no pátio de São Dâmaso no Palácio Apostólico Vaticano, o Pontífice falou aos jovens japoneses “daquela aventura tão bela” que é o diálogo que nos permite sair de nós mesmos e abraçar “outras pessoas, outras culturas, outros modos de pensar, outras religiões”.

Precisamos de tudo isso, destacou o Santo Padre, “porque se estamos fechados em nós mesmos, temos só aquilo que temos, não podemos crescer culturalmente”. O “diálogo” é portanto um desafio fundamental para a “própria maturidade”, acrescentou Bergoglio, porque “no confronto com a outra pessoa” e “com as outras culturas”, mas também “no confronto sadio com as outras religiões”, se “cresce”.

Claro, adverte o Papa, há sempre o perigo: "Se no diálogo alguém se fecha e fica com raiva, pode ter briga”; mas isso “não está bem”, porque nós dialogamos para encontrar-nos, não para brigar” comentou. Portanto “qual é a atitude mais profunda que devemos ter para dialogar e não brigar?", perguntou o Pontífice. É a "humildade”, ou melhor “a capacidade de encontrar as pessoas, de encontrar as culturas, com paz”; “a capacidade de fazer perguntas inteligentes” do tipo: “mas por que você pensa assim? Por que essa cultura faz assim?".

"Ouvir os outros e depois falar. Primeiro ouvir, depois falar”, esta, de acordo com o Papa, é a fórmula para ser pessoas e cristãos ‘mansos’. E no momento em que, como é normal no confronto humano, se verifica o “você não pensa como eu”, “eu penso de forma diversa”, “você não me convence” e assim por diante, o que acontece? Para Francisco, a resposta é elementar: "Somos amigos do mesmo jeito, eu ouvi como você pensa e você ouviu como eu penso”.

Em conclusão, a passagem mais importante deste breve discurso: "Uma coisa importante é que este diálogo é o que faz a paz", disse o Papa Bergoglio, acrescentando: "Não pode haver paz sem diálogo. Todas as guerras, todas as lutas, todos os problemas que não são resolvidos, com o qual nos deparamos, existem por falta de diálogo."

"Quando há um problema, diálogo: isto faz a paz” concluiu, desejando aos estudantes e professores do Seibu Gakuen Bunri Junior High School uma viagem "frutuosa" a Roma, que possa ensiná-los a dialogar: "...Como essa cultura pensa, que bonito isso, isso eu não gosto, mas dialogando. E assim se cresce".

Uma menina tornou-se a porta-voz dos sentimentos do grupo e agradecendo ao Papa “por ter-nos concedido um pouco do Seu precioso tempo”, disse: “Estamos muito satisfeitos por ter a oportunidade de conhecê-lo e ouvir suas palavras; De hoje em diante vamos colocar em prática nas nossas vidas o que ouvimos do Senhor”. A resposta de Francisco foi, como sempre, simpática e espontânea: "Muito obrigado! Mas você nasceu em Nápoles? Fala muito bem o italiano".

O encontro terminou com um musical em que todos os alunos cantaram o hino da sua escola para o Santo Padre, o qual, divertindo-se, disse: "Vocês são bons, hein? Cantando!". "Também no diálogo existe o princípio da reciprocidade: quando alguém fala uma coisa, o outro deve dizer outra” afirmou. No entanto, revelou: "Mas eu não sei cantar, não posso."

[Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira]