Nas organizações da sociedade, leigos são chamados a evangelizar

Contribuição dos católicos é muito importante para a vida da cidade, diz cardeal

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SÃO PAULO, quinta-feira, 1 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Os leigos, presença da Igreja no vasto mundo das organizações sociais, têm renovado o seu convite, neste início do século XXI, à tarefa que é a própria razão de existir da Igreja: a evangelização.

É o que afirma o cardeal Odilo Scherer, em carta dirigida aos cristãos leigos da arquidiocese de São Paulo, datada de 29 de junho, neste ano em que a arquidiocese discute sobre a vocação dos leigos, seu lugar e sua participação na vida e na missão da Igreja.

“Nas organizações da sociedade, das profissões e das responsabilidades públicas”, “ali, mais que tudo, Cristo os envia [os leigos] a serem seus ‘discípulos missionários’ (...); na sociedade, vocês são o sal da terra, a luz do mundo, o fermento na massa e as testemunhas do Evangelho de Cristo”, afirma o cardeal.

“A razão de existir da Igreja de Cristo é a evangelização” – prossegue Dom Odilo –, e
“é isso mesmo que Jesus Cristo, Senhor da Igreja, continua a nos pedir neste início do século XXI”.

A missão evangelizadora tem basicamente quatro aspectos complementares, explica o cardeal, recordando as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da CNBB.

Trata-se do “serviço ao próximo em nome de Cristo”; “o diálogo com todos”; “o anúncio explícito da Palavra de Deus”; e “o testemunho de comunhão”.

A missão “envolve todos os membros da Igreja”. “Somos evangelizadores. Ou então, na expressão adotada pela Conferência de Aparecida: Somos discípulos missionários de Jesus Cristo”, afirma o arcebispo.

Já o processo de evangelização – explica Dom Odilo Scherer – pode ser resumido em três passos essenciais: encontrar Jesus Cristo; seguir Jesus no caminho; anunciar Jesus aos outros.

“A vida cristã começa com o encontro com Cristo; normalmente, alguém ajuda para que isso aconteça e leva ao encontro com Cristo, aponta para Ele e abre indica o caminho para que leva a Ele.”

O encontro com Jesus “é proporcionado de muitas maneiras e representa, no itinerário da evangelização, a iniciação à vida cristã e a descoberta da fé e da vida da Igreja. Aqui têm papel importante os pais, os catequistas, os colegas, os testemunhas... E o Espírito Santo não deixa de fazer a parte dele”, destaca o cardeal.

O segundo passo é o seguimento de Jesus. “A vida cristã não é apenas feita de conhecimentos, mas é adesão à pessoa de Cristo e, por meio dele, adesão a Deus, no dom do Espírito Santo”.

“O seguimento de Cristo pelo caminho acontece na prática diária da vida cristã, na vida moral coerente com o Evangelho e os mandamentos da Lei de Deus e o cultivo da amizade e da comunhão com Deus.”

O terceiro passo do processo de evangelização é o anúncio de Jesus Cristo aos outros. “O cristão, discípulo de Cristo, só é adulto quando se coloca a serviço do anúncio da Boa Nova para os outros”.

Segundo o arcebispo de São Paulo, “quem conheceu o amor de Cristo não deixará de falar dele aos outros, a exemplo de Paulo, que dizia: Ele me amou e por mim se entregou”.

“Agora faço de tudo para ver se consigo ganhar alguns para Cristo. Nós precisamos perder o medo de falar de nossa fé e de nossa Igreja aos outros. Precisamos, sem dúvida, conhecer mais nossa fé e também a nossa Igreja. Ninguém ama o que não conhece; e nós temos tantas coisas bonitas na nossa fé e na Igreja!”

O cardeal Scherer afirma ainda: “ser cristão católico é uma graça muito grande! É ter parte na ‘herança apostólica’ e estar na Igreja que permaneceu até hoje na ‘doutrina dos apóstolos’”.

“É ser membro dessa mesma família espiritual, congregada em nome da Trindade Santa, da qual também são membros tantos santos, mártires, místicos, teólogos, missionários...”

“Também em São Paulo – prossegue o arcebispo –, que nasceu em torno da Igreja e de um colégio católico... aqui viveram e trabalharam pela Igreja, antes de nós, santos missionários (...), e tantos outros, cujos nomes estão anotados no Livro da Vida.”

“Aqui Deus nos chama a viver a nossa fé cristã e a testemunhar a presença do seu reino. Tenhamos, portanto, ânimo e coragem para fazer a nossa parte na vida e na missão da Igreja”, afirma o cardeal.

O arcebispo enfatiza que “a contribuição dos católicos, inspirados e motivados pela sua fé, é muito importante para a vida da cidade e para a formação da cultura deste imenso povo”.

(Alexandre Ribeiro)