"Nem tecnocratas nem políticos, mas pastores a serviço da paz e do bem comum"

Cardeal Bertone explica papel e propósito da diplomacia do Vaticano

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Por Antonio Gaspari

ROMA, quarta-feira, 26 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - "A função dos núncios apostólicos não é a típica dos tecnocratas, nem deve ser confundida com a dos políticos. Os núncios ou delegados apostólicos, em países que não têm relações diplomáticas plenas com a Santa Sé, são pastores, homens da Igreja, formados do ponto de vista humano, acadêmico e sacerdotal para realizar com metas elevadas a sua tarefa em todas as frentes que a sua missão inclui".

Estas palavras foram ditas pelo cardeal Secretário de Estado vaticano, Tarcisio Bertone, ​​no mosteiro de Pedralbes, em Barcelona, onde recebeu o Prêmio Internacional Conde. O prêmio foi criado pela Fundação Conde de Barcelona, do jornal espanhol La Vanguardia, e se destina a indivíduos e instituições que se destacaram no campo da comunicação.

Não são poucas as questões relacionadas com a denominada "diplomacia vaticana", que historicamente recebeu nomes diferentes, alguns dos quais ditados por certa precipitação.

Para algumas pessoas, explicou o cardeal, a diplomacia do Vaticano é uma relíquia do passado e desaparecerá. "A diplomacia da Santa Sé, na verdade, é uma busca incessante de caminhos justos e humanos, levando em conta os direitos e responsabilidades dos indivíduos e dos países e o bem de cada homem, que só pode ser alcançado através da salvaguarda do bem comum".

"Os esforços diplomáticos do papa e da sua equipe devem ser considerados como uma forma privilegiada de comunicação, cujo objetivo é promover do melhor modo possível esse bem comum e o bom entendimento da comunidade internacional".

Muitas vezes, disse o secretário de Estado, acredita-se que os núncios se limitam a gerir relações com governos, quando uma das suas missões mais importantes é "ser anunciadores da palavra e da proximidade do sumo pontífice, tornando presente em todo o mundo a sua solicitude paterna e fortalecendo os laços entre o bispo de Roma, sucessor de São Pedro, e as Igrejas particulares que peregrinam pelo mundo, sem esquecer a tarefa, cada vez mais urgente e decisiva, do diálogo ecumênico e inter-religioso".

A este respeito, o cardeal Bertone recordou Joseph Vandrisse, correspondente em Roma do jornal Le Figaro, que escreveu que a diplomacia do papa é simplesmente uma necessidade tão grande que, "se não existisse, teria que ser inventada".

"O serviço diplomático da Santa Sé, fruto de uma prática antiga e consolidada, foi gradualmente se estruturando ao longo dos séculos para ser uma ferramenta que trabalha em nome da libertas Ecclesiae, além de defender a dignidade da pessoa humana e uma sociedade que reflita os valores mais nobres".

O secretário de Estado apontou que o número de países que mantêm relações com a Santa Sé dobrou durante o pontificado de João Paulo II. Eram 84 em 1978 e agora são 179. Portanto, a diplomacia do papa alcançou, nas relações internacionais, uma posição de verdadeira universalidade.

“Neste contexto”, concluiu Bertone, “a Santa Sé se esforça todos os dias para dar o seu apoio à vida internacional, de acordo com a sua especificidade, de modo que, em toda parte, seja respeitada a dignidade humana e se intensifiquem o diálogo, a solidariedade, a liberdade, a justiça e a fraternidade, tanto dentro das nações quanto na sua projeção exterior”.

(Trad.ZENIT)