Neste sábado, em Turim, será beatificado o padre Girotti, assassinado em um campo de concentração nazista

O Santo Padre Francisco destacou o heroico testemunho cristão do padre italiano

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 527 visitas

O padre dominicano Giuseppe Girotti, vítima do ódio contra a fé, assassinado no campo de concentração de Dachau pelas mãos dos nazistas, será proclamado beato neste sábado em Alba, no Piemonte. O Santo Padre o recordou na audiência geral desta quarta-feira, desejando que "o seu heroico testemunho cristão e o seu martírio suscitem em muitos corações o desejo de aderir cada vez mais a Jesus e ao Evangelho". Para representar o Santo Padre na beatificação, estará presente o cardeal Giovanni Coppa, nascido em Alba.

O padre Girotti foi um dos 1500 sacerdotes mortos no campo de concentração de Dachau. Nascido em Alba em 15 de julho de 1905, de uma família muito pobre, foi ordenado sacerdote na ordem dos dominicanos em 1930. Fez seus estudos bíblicos em Jerusalém na escola do padre Lagrange, entre 1932 e 1934. Tornou-se docente de Sagrada Escritura no Studium dominicano de Santa Maria das Rosas, em Turim, onde, em 1983, publicou um comentário aos Livros Sapienciais. Em 1937, foi encarregado de continuar o comentário à Sagrada Bíblia começado pelo irmão Marco Sales. Em 1939, foi suspenso do ensino, censurado pelo regime devido à sua postura antifascista e transferido para o convento de Santo Domingo.

Com a ocupação alemã da Itália em 1943, a situação dos judeus ficou particularmente delicada a partir da decisão da República Social, em 30 de novembro, de prender todos os judeus. Pio XII pediu que os fieis ajudassem e salvassem os judeus. E o padre Girotti não deixou de lado o dever moral de prestar ajuda aos perseguidos. Mas foi traído e caiu numa armadilha da polícia nazista, que, por telefone, lhe pediu acompanhar um dos filhos do professor Diena, judeu, até a casa do pai na colina de Turim. Girotti saiu do convento em 29 de agosto de 1944 e não voltou mais. Foi levado para o campo de concentração de Dachau.

No campo de concentração, o padre foi acometido de um carcinoma que lhe trouxe problemas de vista, dores reumáticas e inflamação crescente nas pernas. Morreu em 1º de abril de 1945. As últimas palavras escutadas dele foram uma citação do livro do Apocalipse: "Maranatha. Vem, Senhor Jesus!". Uma mão desconhecida escreveu de lápis na sua cama: “São Giuseppe Girotti”. Nos registros do campo de concentração de Dachau, pode-se ler: "Motivo da prisão: ajudou os judeus". O padre Girotti foi enterrado na fossa comum de Leitenberg.