Nigéria: Uma viagem ao fundamentalismo religioso

A constante ameaça da seita Boko Haram aos cristãos

Roma, (Zenit.org) Daniele Trenca | 479 visitas

No leste da Nigéria, há um pequeno lugar onde está presente a diocese mais perigosa do continente. A doença e a fome são problemas que existem, mas para tornar ainda mais quente o clima do estado mais populoso da África não está ali apenas o sol escaldante ou a poeira da rua, mas a praga do fundamentalismo islâmico.

O fantasma da seita Boko Haram está sempre presente, e é um perigo constante para todos os habitantes do lugar, principalmente para os cristãos. O ambiente nigeriano é uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer momento. Aqui, o terrorismo é constante, brutal e preferem a faca ao Kalashnikov, tornando ódio contra os cristãos a força motriz desta seita fundamentalista.

Do ponto de vista sócio econômico a Nigéria é um importante ponto de intercâmbio. Foi evangelizada por missionários irlandeses no século passado, e a coexistência pacífica entre as religiões foi por conseguinte sempre verificada.

Boko Haram rima com ódio fanático, uma vez que este grupo tem como objetivo dividir e desestruturar, de uma vez por todas, esta compatibilidade religiosa que dura, segundo eles, muito tempo. Os muçulmanos devem abraçar o fanatismo, caso contrário, eles se tornam alvo dos guerrilheiros, enquanto que os cristãos devem sumir, ou se converter. Quem não se dobra a esse dualismo feroz é morto ou vive com o terror da violência a qualquer momento. De acordo com o Boko Haram a cultura nos torna livres e é pecado. É por isso que eles querem que o jovens cresçam na ignorância, sendo assim, mais fácil de manipular.

O grupo funciona muito como o Talibã afegão, mas seu verdadeiro objetivo é estabelecer um Estado islâmico na Nigéria.

Diante disso a Igreja dá a sua contribuição: os padres e bispos permanecem no lugar deles. Eles têm ideias claras e recusam escolta e carros blindados, eles mantêm-se fiéis à missão de não abandonar os fiéis, enquanto houver almas para cuidar.

O ex-bispo da capital Abuja, agora cardeal John Onaiyekan, que encontramos em novembro passado, pouco depois de ser nomeado pelo Papa Bento XVI, nos falou da necessidade e da contribuição que os meios de comunicação podem dar para as pessoas da Nigéria, a fim de difundir uma mensagem de esperança e paz para o povo do seu país.

Sendo um local de luta constante, um dos problemas mais comuns são os atentados, como o que ocorreu em 25 dezembro de 2011, durante a Santa Missa de Natal.

Jean Paul Kayihura, chefe continental da Rádio Maria na África, que naquela época estava na capital nigeriana, nos contou sua experiência. Foram cinco explosões que causaram centenas de mortes, “eu estava em uma igreja próxima ao local do ataque. Fiquei profundamente chocado, porque as pessoas tinham ido lá para rezar, eram inocentes, pois nessa situação não há e não deve haver nenhuma manifestação de violência. Provavelmente, existem outras razões para estes grupos de fanáticos muçulmanos, que usam a religião para disfarçar. Todas as vezes que acontece um ataque, todos os líderes religiosos condenam.”

De acordo com o representante da rádio católica, muito ativa na África, a solução poderia vir do estado: "É preciso garantir a segurança - continua – é preciso amplificar a mensagem de paz até que todos os nigerianos se sintam envolvidos na busca pela paz, a fim de evitar que um pequeno grupo perturbe a comunidade ou o desenvolvimento do país. Somente a segurança permite o desenvolvimento. Para isso, devemos insistir na educação para a paz de todas as religiões”.