Ninguém está isento do pecado, afirma cardeal

Arcebispo de São Paulo indica práticas penitenciais durante a Quaresma

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SÃO PAULO, quarta-feira, 6 de abril de 2011 (ZENIT.org) - Na Quaresma – caminho de preparação para a Páscoa, a principal das comemorações litúrgicas e festas cristãs – a Igreja “recomenda as práticas penitenciais, como exercícios de busca mais intensa de Deus e de nossa conversão aos seus caminhos”, afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer.

Em artigo publicado na edição desta semana do jornal ‘O São Paulo’, Dom Odilo assinala que “o jejum e a moderação de nossos desejos e paixões não devem ser praticados apenas como atos de ‘mortificação’.

Devem-se praticar “como exercícios que nos estimulam e auxiliam no processo de nossa conversão, motivados pela Palavra do Evangelho e pela sincera busca de Deus, como único absoluto de nossa vida”.

O arcebispo afirma que todos necessitam de penitência e ninguém está isento do pecado. “Foi Jesus mesmo quem recomendou aos discípulos ‘fazei penitência; se não fizerdes penitência perecereis todos também’. “A penitência sincera leva ao reconhecimento de que os caminhos de Deus são sábios e justos e à sincera e humilde obediência a eles”.

Dom Odilo lembra que há exercícios pessoais de penitência, que cada um “pode e deve assumir com fé e reta consciência diante de Deus”.

“Podem ser a correção de certos vícios, o esforço para a reorientação das paixões desordenadas, a reconciliação com o próximo, a reparação das ofensas, a abstenção do consumo desenfreado de coisas supérfluas, a prática mais intensa da caridade e das outras virtudes.”

“Há também as práticas comunitárias de penitência, como as vias sacras, mutirões de solidariedade em favor dos necessitados, as celebrações penitenciais feitas em comunidade.”
Segundo o cardeal, a Igreja não recomenda práticas penitenciais que causem danos à saúde ou à integridade física.

Os exercícios pessoais e comunitários de penitência “deveriam levar a uma confissão sacramental bem feita”, indica Dom Odilo.

“Jesus Cristo, que nos reconciliou com Deus e nos alcançou misericórdia e perdão mediante a sua cruz, confiou à Igreja o ministério da reconciliação. Pelo Sacramento da Confissão, recebemos de Deus, de fato, o perdão de nossos pecados e podemos sentir em nós também o efeito daquelas palavras confortadoras de Jesus: ‘Teus pecados estão perdoados, vai em paz!’”

Para fazer uma boa confissão e obter o perdão sacramental dos pecados – afirma o cardeal –, “é necessário que tenhamos a consciência dos pecados e de sua gravidade, estejamos sinceramente arrependidos diante de Deus, tenhamos fé no perdão dado por Deus através da Igreja e confessemos os pecados com sincera humildade ao padre, ministro do perdão”.

“Finalmente, é necessário cumprir a ‘penitência’ imposta pelo confessor e que tenhamos o firme ‘propósito de emenda’ e de não voltar a cometer os mesmos pecados”, afirma.