No rosto dos enfermos está o de Cristo, afirma Papa

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

| 1050 visitas

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 21 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Em sua mensagem para o Dia Mundial do Doente, que se celebra a 11 de fevereiro, memória da Beata Virgem de Lourdes, o Papa convida a reconhecer no rosto dos enfermos o de Jesus, e a se colocar a serviço do próximo que sofre.

O Dia Mundial do Doente, destaca o Papa, é uma “ocasião propícia para refletir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para fazer nossas comunidades e a sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs enfermos”.

“Se cada homem é nosso irmão, tanto mais o frágil, o que sofre e o necessitado de cuidados devem estar no centro de nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado”, observa, acrescentando que “a medida da humanidade se determina essencialmente na relação com o sofredor e com o que sofre”.

“Que no rosto dos enfermos se saiba ver sempre o Rosto dos rostos: o de Cristo”, pede o Papa.

Chagas redentoras

Na Mensagem, o pontífice recorda sua viagem a Turim, no dia 2 de maior, quando pode “estar em reflexão e oração perante o Santo Sudário, ante esse rosto sofredor, que nos convida a meditar sobre Aquele que levou sobre si a paixão do homem de todo tempo e de todo lugar, e também nossos sofrimentos, nossas dificuldades, nossos pecados”.

“O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e precisamente por isso essas chagas se convertem no sinal de nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai.”

Mas a paixão é também “um banco de prova para a fé dos discípulos e para nossa fé: cada vez que o Senhor fala de sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, se opõem”, reconhece. “Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre cheio de mistério, difícil de aceitar e de conduzir”.

Dirigindo-se aos “queridos doentes”, o Papa recorda que “é precisamente através das chagas de Cristo que nós podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade”.

“Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento nem o mal do mundo, mas os venceu pela raiz. À prepotência do mal, opôs a onipotência de seu Amor. Indicou-nos, assim, que o caminho da paz e da alegria é o Amor”.

“Deus, a Verdade e o Amor em pessoa, quis sofrer por nós e conosco; fez-se homem para poder compadecer com o homem de modo real, em carne e sangue.”

Por isso, “em cada sofrimento humano, entrou Um que compartilha o sofrimento e a suportação; a cada sofrimento se difunde a consolatio, a consolação do amor partícipe de Deus para fazer surgir a estrela da esperança”.

Jovens

Diante da próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontece em Madri em agosto de 2011, o Papa dirige também algumas palavras “para os que vivem a experiência da enfermidade”.

“Frequentemente, a Paixão, a Cruz de Jesus dão medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exatamente o contrário! A Cruz é o sim de Deus ao homem, a expressão mais alta e mais intensa de seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna.”

“Do coração atravessado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer seu Reino de justiça, de paz e de amor a que todos aspiramos.”

O Papa animou os jovens a aprender “a ‘ver’ e a ‘encontrar’ Jesus na Eucaristia, onde está presente de modo real para nós, até o ponto de se fazer alimento para o caminho”, mas também sabê-lo “reconhecer e servir nos pobres, nos enfermos, nos irmãos sofredores e na dificuldade, que necessitam de vossa ajuda”.