Nobreza mais distintiva do homem é ser «capaz de Deus», afirma cardeal

Segundo Dom Eusébio Scheid, Cristo será sempre o modelo a ser imitado

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RIO DE JANEIRO, segunda-feira, 23 de julho de 2007 (ZENIT.org).- A nobreza mais distintiva do homem é ser «capaz de Deus», «isto é, possuir uma abertura para o Transcendente», afirma o cardeal Eusébio Scheid.



Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, mais do que abertura, «o homem tem verdadeira ânsia do Infinito, que pode ser comparada à premência da sede (cf. Sl 62[63],2)».

«Porém, mesmo chamado à plenitude, o ser humano experimenta o confronto entre a grandeza de seus ideais e a limitação das suas forças, freqüentemente insubmissas à própria vontade. Esta contradição é a nossa herança, cujas raízes encontram-se profundamente entranhadas na realidade do pecado», explica o cardeal, em mensagem aos fiéis remetida a Zenit.

Diante desse quadro marcado por pinceladas de sombras, o arcebispo afirma que se pode notar, «por outro lado, a luz e o maravilhoso colorido com que o Divino Artista concebeu a criação e nela colocou o ser humano, como ápice».

«Há homens autenticamente “humanos”, dedicados ao sublime ideal do amor. Mesmo diante de catástrofes, desastres e calamidades, reconstroem e confiam. São indispensáveis ao mundo», afirma.

«Não precisam temer suas responsabilidades porque são vigorosamente fortalecidos pelo devotamento a um ideal. O presente tem os traços dos seus rostos. Não antecipam o amanhã porque ainda não existe, nem lamentam o passado, porque nada podem fazer para modificá-lo.»

Segundo Dom Eusébio, o homem que realmente ama não é saudosista. «O seu tempo é hoje e sua hora é agora. Ele vai ao encontro dos seus irmãos e irmãs - os outros seres humanos, de coração, mente e braços abertos, não para abraçar e reter para si, mas para se entregar e se doar a quem dele precisar».

«Esse homem, tão necessário, Deus o suscita a seu tempo e hora para ser, no mundo, um sinal, um reflexo da sua verdade, do seu amor, da sua misericórdia. Ele dota esses eleitos de um vigor particular e de dons cativantes, porquanto jamais abandona os que trouxe à existência, destinados a partilhar-lhe a vida e o amor.»

E o arcebispo alenta os fiéis: «Meu querido irmão, minha querida irmã, se teu coração estiver queimando assim de amor por Deus e pelos irmãos, deixa que Ele conduza teus caminhos. “Segura na mão de Deus e vai”, como costuma cantar o povo cristão».

Segundo o cardeal Eusébio Scheid, «o ápice da História – a oferta do Cristo pela Salvação dos homens – também é ponto culminante de amor possível a ser experimentado pelos seres humanos».

«Foi naquela hora que se demonstrou até onde iria “o maior amor” e se definiu o HOMEM – lógico, surpreendente, pleno, altruísta ao extremo.»

«Este HOMEM, crivado de espinhos, injustamente “flagelado por não ter culpa” (expressão de um defensor do Direito Romano, Pilatos) será sempre o MODELO a ser imitado para quem procura a perfeição do seu ser e conseqüente agir», escreve o arcebispo.