Nova catedral em Kosovo, sinal de harmonia religiosa

O bispo espera que seja um «sinal de reconciliação» entre católicos, ortodoxos e muçulmanos

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KONIGSTEIN, sexta-feira, 6 de março de 2009 (ZENIT.org).- A nova catedral que será construída em Kosovo suporá «um novo início» para a harmonia religiosa nesta região de tantos conflitos. Assim desejou o bispo da região, Dom Gjergji, em uma entrevista concedida à organização Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que participa do projeto.

Dom Gjergji, cuja diocese inclui Prizen e todo o Kosovo, explica que a catedral, que será construída na capital Kosovar (Pristina), representa «uma contribuição prática para a reconciliação» entre católicos, ortodoxos e muçulmanos. 

O templo terá um centro pastoral e cultural de 6.200 metros quadrados na parte da cripta, e um complexo multifuncional próximo que poderá ser usado por todos os grupos religiosos. 

«No futuro haverá espaço para todos, cristãos e muçulmanos, católicos e ortodoxos», afirmou o prelado. 

Dom Gjergji agradeceu à AIS por seu apoio neste projeto, que supõe um passo adiante na reconciliação religiosa e cultural na região, e para o qual a organização contribuiu 400 mil euros. 

Atualmente, reconheceu o prelado, a Igreja está atraindo mais atenção, sobretudo por parte dos jovens. «Muitos vêm a nós, principalmente jovens de Kosovo, tanto muçulmanos como cristãos. Queremos poder ajudá-los e dar-lhes uma resposta», explica. 

O bispo não considera contraditório construir uma igreja na capital de um país no qual 95% da população é muçulmana, e na qual os católicos são apenas 65 mil. «Para muitos, é o símbolo de um novo começo e de uma nova esperança, tanto para os cristãos como para os muçulmanos», comentou. 

O projeto foi apoiado por membros influentes de todas as confissões religiosas desde que foi proposto. O primeiro presidente de Kosovo, Ibrahim Rugova, muçulmano, utilizou sua influência pessoal para garantir que os católicos pudessem construir uma igreja no centro de Pristina. 

A primeira fase da construção da catedral, que compreende os fundamentos e a cripta, já terminou, e estão começando a trabalhar no resto do edifício. 

Iniciado pelo anterior bispo, Dom Marco Sopi, a concatedral, que será dedicada à Madre Teresa de Calcutá, deverá ser terminada em 2010, a tempo para o centenário do nascimento da religiosa, que era originária desta região. 

Kosovo, teatro secular de confrontos entre os otomanos muçulmanos e os sérvios cristãos, foi testemunha de um conflito étnico entre sérvios e albaneses ao final dos anos 90. Após intensas negociações, declarou-se independente da Sérvia no ano passado. 

Dez anos depois da guerra, 50% da população está no desemprego e continuam faltando infraestruturas. Mais da metade dos habitantes tem menos de 25 anos. 

«As pessoas aqui atravessaram e suportaram tempos duros – confessa Dom Gjergji. Agora buscam a Deus.»