Nova evangelização: uma prioridade para o próximo papa

Uma pastoral que segue os passos dos papas predecessores

Roma, (Zenit.org) John Flynn, LC | 1379 visitas

O papa Bento XVI não deixará apenas de publicar a sua terceira encíclica sobre as virtudes teologais, que trataria da fé, como também deixará incompleta a exortação pós-sinodal sobre a nova evangelização.

Em sua homilia na missa de encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, em outubro passado, Bento XVI falou da "urgente necessidade de reanunciar o Cristo onde a luz da fé enfraqueceu, onde o fogo de Deus se reduziu a brasas que devem ser reavivadas, para se tornarem chama viva que dá luz e calor à casa inteira" (28 de outubro de 2012).

Um dos participantes do próximo conclave é o cardeal Donald Wuerl, arcebispo de Washington, DC. O cardeal foi o relator geral do sínodo de outubro e publicou um tratado de 90 páginas, intitulado “Nova Evangelização: a transmissão da fé católica hoje”.

Descrevendo o sínodo, Wuerl usa três palavras: positivo, unidade e pastoral.

Os últimos dez anos têm sido turbulentos, reconhece Wuerl, mas "estamos vivendo uma nova fase na vida da Igreja e caminhamos na direção certa", completa.

O cardeal observa que uma característica do último sínodo foi a unidade entre os bispos e a clareza em se reconhecer que todos os bispos presentes compartilharam uma profunda unidade na fé e uma convicção comum na necessidade de uma nova evangelização.

Este objetivo, explica Wuerl, não inclui apenas a pregação da mensagem do evangelho àqueles que não conhecem Jesus, mas também o auxílio, aos que já foram evangelizados, para redescobrirem a fé e retornarem à prática religiosa.

Esta nova evangelização parte da experiência de Jesus Cristo: este amor por Jesus e pelo evangelho deve ser compartilhado com os outros. "A missão principal da Igreja é a evangelização", explica o arcebispo de Washington.

Um dever

É importante compreender, prossegue Wuerl, que este dever de anunciar a verdade da salvação que encontramos em Cristo não é de responsabilidade exclusiva do clero ou dos religiosos. Citando o Vaticano II, o cardeal sublinha o papel vital dos leigos em dar testemunho da própria fé e em anunciar aos outros a mensagem de Cristo.

Apesar de Paulo VI já ter identificado a necessidade de um novo período de evangelização, é João Paulo II, no parecer do cardeal, quem pode ser definido como o verdadeiro pai da nova evangelização. Durante as suas muitas viagens ao redor do mundo, em que falou em vários idiomas, o papa polonês levou o ministério universal até os confins da terra.

Hoje em dia, há uma necessidade real e urgente de uma nova evangelização. Nós vivemos a nossa fé no meio de uma cultura altamente secularizada. Esta concepção limitadamente secularista da vida mudou radicalmente o contexto em que vivemos e transmitimos a nossa fé, considera Wuerl.

Estamos, portanto, em uma situação em que duas gerações de católicos não têm o conhecimento da oração, não percebem a importância da missa e do sacramento da penitência e, em muitos casos, perderam o sentido da transcendência.

Citando a encíclica Evangelium Vitae, de João Paulo II, o cardeal Wuerl afirma que em muitos países há um "eclipse do sentido de Deus" (Par. 21).

A nova evangelização começa através da Igreja, que é o instrumento de Cristo no mundo de hoje, observa o cardeal. É através dos sacramentos da Igreja que a obra redentora de Cristo continua.

Os sacramentos

"Nós acreditamos que os sacramentos são, e sempre foram, os braços do próprio Salvador, por meio dos quais ele estende a sua ação no espaço e no tempo para dar a vida, abençoar, renovar, curar e multiplicar o pão da vida".

Depois de refletir sobre cada um dos sacramentos, Wuerl explica o significado das paróquias na obra da nova evangelização, bem como na contribuição dos novos movimentos e comunidades.

Um capítulo posterior é dedicado aos objetivos teológicos da nova evangelização. O cardeal identifica o que chama de "marcos dos fundamentos teológicos":

- As bases antropológicas, que identificam a fonte da dignidade humana.

- Os fundamentos cristológicos, que explicam quem é Cristo, a sua divindade e humanidade e a realidade da sua morte e ressurreição.

- Os fundamentos eclesiológicos, que reconhecem que Cristo continua a sua obra de redenção através da Igreja.

- As bases soteriológicas, que nos permitem ver que o Reino de Cristo já está entre nós e que as nossas vidas fazem parte do trabalho de construção do Reino de Deus.

Enquanto esperamos pela decisão do próximo conclave, já sabemos, com toda a clareza, que para o próximo papa, assim como para João Paulo II e para Bento XVI, a nova evangelização continuará a ser uma prioridade.