Novas análises do Santo Sudário

Entrevista com Gianfranco Berbenni, especialista em teologia e ciência

| 1031 visitas

Por Paolo Centofanti

 

ROMA, quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Foram publicadas recentemente algumas notícias sobre uma entrevista da BBC com o Dr. Christopher Bronk Ramsey, diretor da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, que desmentiriam os resultados das análises com radiocarbono 14, efetuadas em 1988, que datavam o Santo Sudário de Turim da Idade Média e que foram realizadas justamente naqueles laboratórios.

Segundo parece, tratava-se de filtrações de um colóquio privado e segundo se declara em um comunicado da Universidade de Oxford, Ramsey teria comentado só a conveniência de efetuar outras análises, usando as novas tecnologias. O estado da questão se saberá talvez só na véspera da Páscoa, no Sábado Santo, quando a BBC transmitirá a entrevista.

No mesmo período, o Santo Sudário foi extraído do cofre no qual se conserva há alguns anos para verificar seu estado de conservação e se realizou uma gigantografia do mesmo, de 7x21m, que será exposta no exterior da catedral de Novara, Itália, e depois durante a Jornada Mundial da Juventude, em Sydney, com a assistência do Papa.

Para um comentário e uma análise sobre estes fatos, Zenit entrevistou o Pe. Gianfranco Berbenni ofm cap, professor do curso «A Ciência e a Teologia ante o Santo Sudário», dentro do Mestrado em Ciência e Fé da Faculdade de Teologia do Ateneu Pontifício «Regina Apostolorum», no âmbito do Projeto STOQ (Science, Theology and the Ontological Quest), coordenado pelo Conselho Pontifício da Cultura e sustentado pela Fundação John Templeton.

Como vê as eventuais novidades relativas ao Santo Sudário e a possíveis controversas em relação à análise realizada com radiocarbono em 1988?

–Gianfranco Berbenni: Muito além das filtrações, penso que se abre uma nova época de indagações sobre o Sudário; já transcorreram 20 anos desde aqueles estudos científicos.

O Dr. Ramsey fazia parte da equipe de análise de 1988?

–Gianfranco Berbenni: Ele trabalhava no laboratório no qual se realizaram as análises. Digamos que é a nova geração de cientistas que está se unindo às investigações sobre o Sudário. Muitos da antiga geração nos deixaram, inclusive fisicamente, e esta nova geração justamente realiza um reinício das indagações, dado também o afinamento dos métodos e instrumentos para as datas arqueológicas no tempo transcorrido.

Alguém falou inclusive de uma espécie de complô, como se o milhão de dólares posto em jogo para quem verificasse a não-autenticidade do Sudário tivesse movido os cientistas, não digamos a falsificar, mas sim ao menos a orientar os resultados finais.

Talvez isso faça parte um pouco do gênero do «gossip científico». Não se deve dar muito crédito aos rumores quando não se tem provas sérias. O problema talvez é que as duas frentes, a favorável ao Santo Sudário e a contrária, estavam bastante em conflito e talvez ambos usavam seus melhores argumentos naquele período. Ambos provavelmente necessitam revisar historicamente aqueles eventos.

A propósito de sua afirmação sobre o «gossip científico», como avalia a comunicação e a informação que se costuma fazer sobre o Santo Sudário e até que ponto crê que às vezes se utiliza para tornar a informação sensacionalista?

–Gianfranco Berbenni: Um dos pontos frágeis, recentemente examinado também no Centro Internacional de Turim, é precisamente o controle da qualidade da informação relativa ao Santo Sudário. Por isso, uma boa sala de imprensa é fundamental para oferecer materiais confiáveis aos jornalistas. É, portanto, mais uma tarefa de organização da comunicação. As informações, se são incompletas, são mais facilmente manipuláveis.

Portanto, a manipulação da informação pode ser inclusive involuntária?

–Gianfranco Berbenni: Sobre a voluntariedade há muitos indícios mas, além dos indícios, não há provas.

O que acha da gigantografia que se fez do Santo Sudário e que será exposta em Novara e depois na JMJ em Sydney? Pensa que pode dar-se o risco de banalizar o Santo Sudário?

–Gianfranco Berbenni: O essencial é que esta iniciativa da gigantografia mantenha esse senhorio da comunicação que o Santo Sudário criou sempre a seu redor. Assim, a iniciativa é muito boa; o essencial é que se garanta o tom profundo.

Há alguma novidade recente relativa aos estudos sobre o Santo Sudário?

–Gianfranco Berbenni: Muito além da intervenção de controle sobre o estado do Santo Sudário, nestes dias, creio que a Igreja não tem intenção de acelerar, ao menos atualmente, novas investigações. O essencial é sua ótima conservação, algo que foi verificado quase dez anos após a colocação no novo esplêndido cofre.

Há mal-entendidos sobre o significado teológico do Santo Sudário?

–Gianfranco Berbenni: Lamentavelmente, este é um dos setores mais fracos atualmente, na percepção popular, na percepção social deste documento. Em parte, por causa dos conflitos que às vezes o marcou.

É um documento esplêndido, sempre no centro de muitas discussões, inclusive de caráter cultural e às vezes de posturas teológicas.

Pode falar-nos das teorias de cientistas ou químicos sobre a forma em que se teria formado a imagem do Santo Sudário?

–Gianfranco Berbenni: Substancialmente, há duas grandes escolas. Nosso Centro de Roma, que se inclina por uma formação físico-química normal, e a maioria, ao menos atual, das posições científicas, nas quais há grupos com hipóteses que vão do misterioso, porque não têm ainda bases demonstradas, ao esotérico.

As investigações sobre a formação da imagem estão muito vinculadas às características das investigações do STURP (Projeto de Investigação do Santo Sudário de Turim), de 1976 a 1988, mas com alguns condicionamentos de partida.

O importante é que prossigam as indagações sem posturas exageradas de «fantasia científica», mas com liberdade de investigação.

Quanto a nós, sugeriríamos voltar à hipótese muito mais simples, «normal», dado que temos sempre disponível a foto de alta definição do negativo do Santo Sudário, que até o ano 2002 não era analisável senão em algumas pequenas partes. Ajuda no que se refere aos aspectos técnicos da formação da imagem.

Uma conclusão ideal para esta entrevista?

–Gianfranco Berbenni: Sobre o Sudário, penso que seria oportuno considerar sempre o grande valor, a centralidade que este documento tem para a cultura, para a ciência e – esperemos – sobretudo também para a religião e a teologia.

É sempre central a pergunta «quem é o homem envolvido pelo Santo Sudário?». Desde sempre, nós nos inclinamos a sustentar que é o Cristo do Evangelho.