Novas tecnologias devem humanizar trabalho marítimo, não degradá-lo

Alerta o Apostolado do Mar

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GDYNIA, terça-feira, 3 de julho de 2007 (ZENIT.org).- As novas tecnologias melhoraram a dura vida trabalhista das pessoas do mar, mas também projetam sombras promovendo situações degradantes, adverte o Apostolado do Mar.



Esta expressão de solidariedade se recolhe na «Mensagem às pessoas do mar -- Testemunhas de esperança para um humanismo cristão no mundo marítimo», difundida pelos participantes de XXII Congresso Mundial do Apostolado do Mar, celebrado em Gdynia (Polônia) de 24 a 29 de junho.

O Apostolado do Mar -- que faz parte do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes -- é uma rede internacional de associações e organizações católicas fundada em 1922 e atualmente presente em pelo menos 116 nações.

A recente reunião na Polônia, convocada pelo mencionado dicastério, aprofundou no alcance de tal pastoral, na espiritualidade desse apostolado e em sua contribuição específica ao mundo marítimo, partindo do tema «Em solidariedade com as pessoas do mar, testemunho de esperança com a Palavra de Deus, a Liturgia e a Diaconia».

«Conhecemos e denunciamos, junto a vós, a existência de numerosas situações inumanas que continuam existindo no mundo», lê-se na mensagem final -- do Congresso Mundial -- dirigido ao povo do mar, comunidades costeiras e profissionais marítimos.

«Sabemos também, ao contrário, que muitos de vós vivem valores autênticos de solidariedade e valentia, e que, nas naves, existem relações amistosas entre pessoas de culturas e religiões diferentes», elogiam os membros do Apostolado do Mar.

O afã solidário os levou a analisar o efeito das novas tecnologias neste âmbito profissional: «Elas vos ajudam a vos comunicar melhor com vossas famílias, entre vós e com a opinião pública».

Neste contexto, expressa-se gratidão às instituições que colocam à disposição das pessoas do mar as novas tecnologias e as ensinam a utilizá-las.

Mas «não poder acessá-las ou não saber servir-se delas leva a engrandecer o abismo que separa os que sabem dos que não sabem, isto é, os pobres de sempre», advertem.

«Com efeito, algumas empresas utilizam estas tecnologias para submeter-vos a ritmos de trabalho de robôs, em detrimento de vosso equilíbrio humano, familiar e espiritual», denuncia o Apostolado do Mar.

Esta é uma das razões pela qual os membros de tal apostolado desejam ser solidários com as pessoas do mar «como testemunhas de esperança», pois ainda que «a Igreja seja consciente de ser essa frágil embarcação na qual navega a esperança», nela «está Alguém que tem um nome e um rosto, Jesus Salvador, Esperança do mundo».

«Ele nos impulsiona a promover um humanismo marítimo vivificado pela Esperança cristã» através da qual «não se trata de alcançar unicamente um objetivo, mas de viver uma vida verdadeiramente humana, como Deus a quis para nós, que fomos criados à sua imagem», sublinham na mensagem.

«Através dessa esperança, Ele nos pede falar com palavras que sejam ações»; «não nos pede ser só a voz de quem não tem voz, através naturalmente de nossas organizações profissionais, mas ser sua Palavra, que vive e repercute, por meio de nós, no mundo marítimo, vosso e nosso mundo», confirmam.

«Através da esperança cristã, Cristo, Sacerdote e Diácono, nos pede para servir as pessoas do mar onde quer que estejamos presentes -- declaram --, ante as instâncias públicas, os diferentes responsáveis e as comunidades cristãs, para que não dêem as costas ao mar, mas que prestem atenção a quem vive no mar e do mar.»

A mensagem é veículo de gratidão também a todos os agentes de pastoral, sacerdotes, religiosos e religiosas, diáconos, leigos e voluntários que participam da vitalidade do Apostolado do Mar.

«Conhecemos os bons resultados, em numerosos lugares, de uma colaboração ecumênica lealmente vivida, e de um diálogo inter-religioso que nasce, em concreto, a bordo e nos centros de acolhida», concluem os participantes do encontro mundial desse apostolado.