Novos documentos de Israel favorecem o papa Pio XII

O Memorando Irgun Zvai Leumi, enviado às Nações Unidas, não contém acusações contra a Igreja católica nem contra o papa

| 1343 visitas

Por Livio Spinelli

ROMA, sexta-feira, 14 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Na recente votação realizada na ONU a favor da Palestina, destaca-se em meio às pilhas de documentos o Memorando Irgun Zvai Leumi, de agosto de 1947. O grupo sionista que operou durante o comando britânico na Palestina, de 1931 a 1948, faz acusações contra a Grã-Bretanha e contra outras potências, a respeito do extermínio de judeus, que empalidecem tudo o que já foi alegado até hoje sobre os supostos silêncios e culpas do papa Pio XII.

O memorando foi entregue 65 anos atrás à Comissão Especial da ONU para a Palestina, na véspera do fatídico 29 de novembro de 1947, quando a Assembléia Geral da ONU propôs que o comando britânico da Palestina fosse repartido entre dois estados a ser instituídos: um judeu e o outro árabe. Foi Mussolini, na época, quem cunhou a expressão "dois Estados para dois povos".

Dada a crueza dos conteúdos do memorando, limitando-nos aqui a dar apenas algumas pinceladas. Na página 11, lemos: "O extermínio do nosso povo sob Hitler começou muito antes da guerra. Eles [os britânicos] já sabiam, como todo o resto do mundo, qual era o destino que aguardava os oito milhões de judeus de toda a Europa, porque sabiam o que estava sendo preparado e tinham consciência de que, na Europa Central e Oriental, onde vivia a maior parte dos judeus, não havia forças suficientes para barrar o caminho das hordas de Hitler".

"Não por acaso, dois meses após a queda de Praga, quando foi dado o sinal verde para o extermínio do nosso povo, publicaram o ‘Livro Branco’ (White Paper) de 1939, anunciando o extermínio de oito milhões de judeus. Quando Praga caiu, o primeiro-ministro britânico Chamberlain derramou lágrimas de crocodilo na Câmara dos Comuns: ‘Com base no que aconteceu em Viena após a entrada das tropas alemãs, podemos supor qual é o destino que aguarda os judeus da Tchecoslováquia’".

Entre as numerosas acusações, menciona-se também que os britânicos teriam bloqueado a Palestina contra qualquer possível fuga dos judeus da Europa. Outras acusações pesadas e detalhadas são direcionados contra o Grande Mufti de Jerusalém, al-Husseini, que foi acolhido em Berlim com um escritório especial criado pelos nazistas e chamado de "Büro des Grossmufti".

O singular, neste memorando dirigido às Nações Unidas, é que não há nele nenhum vestígio de acusações contra a Igreja Católica e muito menos contra o papa Pio XII, que não é sequer mencionado. Com razão, portanto, a Irmã Margherita Marchione, durante a sua viagem a Yad Vashem em 31 de outubro de 2010, pediu ao diretor do Museu do Holocausto a correção da inscrição sob a imagem de Pio XII. O pedido, depois de um ano, acabou sendo aceito.

Parte da defesa de Pio XII feita pela irmã Margherita em Yad Vashem pode ser vista no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=YXsNAH-MugQ

(Trad.ZENIT)