Novos movimentos cristãos na Europa: desafios ou oportunidades?

Conferência dos Bispos da Polônia promove reunião de bispos europeus em Varsóvia

Roma, (Zenit.org) | 1259 visitas

“As instituições eclesiásticas trabalham muitas vezes como se vivêssemos numa sociedade 100% cristã, coisa que faz tempo que não somos mais”, afirmou o arcebispo Józef Michalik, presidente da Conferência dos Bispos da Polônia, no último dia da reunião do Comitê Conjunto da Conferência das Igrejas Europeias e do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE).

A reunião, realizada em Varsóvia, teve o tema “Fé e religiosidade numa Europa em mutação. Novos movimentos cristãos na Europa: desafios ou oportunidades?”.

“Embora o conteúdo da fé seja o mesmo, se não houver entusiasmo na transmissão do poder salvador o evangelho perde o apelo”, disse Michalik.

De acordo com o vice-presidente da CCEE, "precisamos de mais reflexão sobre a fé no contexto das mudanças em que vivemos. (...) A autêntica experiência da fé leva à conexão com a vida. A fé sem obras é morta. A fé se expressa através do amor”,  disse o arcebispo, completando: “Hoje, a Europa está em crise econômica e financeira, o que, em pontos importantes, também leva a uma crise de ética, que ameaça o continente”.

Michalik considera que a solidariedade, o compromisso com os outros e a responsabilidade pelos pobres não são valores negociáveis, mas, muitas vezes, não têm força de motivação suficiente para levar as pessoas e a sociedade a se sacrificarem na prática pelo próximo. “A solução é a apresentação positiva do realismo cristão, do otimismo, do compromisso com a transformação das realidades terrenas e do senso de comunidade de fé, vivido por todos os cristãos”.

A mensagem do evangelho precisa mostrar abertura para a integração de todas as pessoas, em oposição aos grupos de interesse e ao egoísmo que caracteriza os dias de hoje. A preocupação com a ética social, com a família, com a dignidade da pessoa ainda está no coração do evangelho, ressalta o presidente da Conferência Episcopal Polonesa.

Em seus discursos durante o encontro, o cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova, e o metropolita Joseph, do Patriarcado Ortodoxo da Romênia, enfatizaram a experiência das igrejas tradicionais com os chamados "novos movimentos". O arcebispo de Southwark, dom Kevin McDonald, e a pastora Claire Sixt-Gateuille, da Igreja Reformada da França, falaram dos desafios pastorais emergentes.

Os participantes da conferência também foram informados da situação religiosa e ecumênica na Polônia pelo bispo Krzysztof Nitkiewicz, responsável pelas relações ecumênicas da conferência episcopal do país, e pelo metropolita Jeremiasz, presidente do Conselho das Igrejas da Polônia.

O encontro reuniu ainda o metropolita Emmanuel, da França, e o cardeal Peter Erdo, arcebispo de Esztergom-Budapeste e presidente da CCEE.

O Comitê Conjunto da Conferência das Igrejas Europeias (KEK) é a mais alta instância de diálogo com o Conselho das Conferências Episcopais Europeias. Fundado em 1959, reúne 120 igrejas protestantes, anglicanas, ortodoxas e católicas de todo o continente, além de outras 40 organizações cristãs.

Já o Conselho das Conferências Episcopais da Europa foi estabelecido em 1971 e inclui 33 episcopados nacionais, representadas pelos respectivos presidentes, juntamente com os arcebispos de Luxemburgo, Mônaco e Chipre dos Maronitas, além do bispo ortodoxo grego de Chisinau.

O encontro foi organizada em Varsóvia a convite de Michalik, que é arcebispo de Przemysl, presidente da Conferência dos Bispos Poloneses e vice-presidente da CCEE.