O aborto e a ameaça à soberania nacional (Parte II)

Análise do professor Ivanaldo Santos, autor do livro "Aborto: discursos filosóficos"

São Paulo, (Zenit.org) Ivanaldo Santos | 1042 visitas

Situando o problema

A prática do aborto é uma forma severa e radical de eliminar a liberdade de um ser humano. A questão é simples: só é possível se pensar em democracia, em liberdade e em outros valores fundamentais do Ocidente se, a princípio, o indivíduo tiver nascido. Sem o nascimento toda e qualquer outra ação referente a vida humana é simplesmente impossível.

Apesar disso sua prática vem crescendo na sociedade Ocidental. Não há registros oficiais sobre quantos abortos foram realizados no Ocidente no século XX, no entanto, apenas para se ter uma dimensão do volume de abortos que foram e são realizados no mundo, nos EUA, desde que o aborto foi legalizado, em 1973, foram realizados 54 milhões de abortos[1]. Trata-se de um número espantoso. Muitos países do mundo, como, por exemplo, Portugal e Argentina, não possuem uma população de 54 milhões de cidadãos, mas nos EUA foi morta, por meio do aborto, essa gigantesca quantidade de indivíduos.   

Na contramão dos direitos humanos, o crescimento da prática abortiva é incentivada por governos ao redor do mundo, especialmente os governos das grandes potências econômicas e militares ocidentais (EUA, Inglaterra, França, Japão, etc), por fundações privadas multimilionárias, que gastam grande parte dos seus vultosos recursos financeiras para incentivar e patrocinar a prática abortiva, por Organizações Não Governamentais (ONGs), por grupos de feministas, pela grande mídia, por astros do cinema e da TV e até mesmo por setores ligados a Igreja, que se auto intitulam de libertários, progressistas e modernos[2].

No Brasil, por exemplo, existe ampla difusão do aborto. Neste país o aborto é apresentado como um ato de liberdade, de esclarecimento, de rebeldia e até mesmo como um direito das mulheres. Só para se ter uma pequena dimensão de como o aborto é incentivado no Brasil, a atual presidente da república, a Sra. Dilma Rousseff[3], antes de tomar posse no cargo, comparou o feto a um dente e, com isso, tentou justificar a prática do aborto. Já a líder feminista e pró-aborto, Eleonora Menicucci[4], que atualmente é a titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, mais conhecida como Ministério das Mulheres, chegou a comparar a gravidez a uma doença infectocontagiosa e, com isso, também tentou justificar o aborto.  

É possível sintetizar os grupos de pressão que lutam, em escala planetária, para implantar o aborto em três categorias.  No entanto, observa-se que essa pequena síntese não esgota a lista completa desses grupos.  Um exemplo disso é que a presente lista não abordará o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) na promoção, difusão e instalação do aborto na América Latina e em outros continentes. Vale salientar que a ONU não é o organismo democrático e promotor da igualdade entre os povos que diz ser. Pelo contrário, a ONU tem tido um papel decisivo na difusão da cultura da morte, do aborto e nas diversas ameaças a soberania nacional. Ameaças que recaem principalmente sobre os países pobres. Para se ter uma ideia do papel do ONU nesse problema, a própria ONU[5] publicou recentemente um manual que dá orientações, aos sistemas de saúde dos países membros, sobre como fazer um aborto “seguro”.      

continua...

[1] 54 MILHÕES DE ABORTOS NOS EUA. In: Lançar as Redes. Disponível em http://lancarasredes.blogspot.com/2012/02/54-milhoes-de-abortos-nos-eua.html. Acessado em 03/03/2012. DOM GOMÉS PRESIDE MISSA POR 54 MILHÕES DE BEBÊS MORTOS PELO ABORTO NOS EUA. In: ACI Digital. Disponível em http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23079. Acessado em 03/03/2010.

[2] Com relação à defesa do aborto realizada por líderes e fiéis pertencentes a Igreja Católica, ligados especialmente a Teologia da Libertação, conhecida pela sigla TL, recomenda-se consultar: SANTOS, Ivanaldo. A teologia da libertação e o aborto. In: SANTOS, I. Teologia da libertação: ensaios e reflexões. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2010, p. 165-193.

[3] Nas palavras de Dilma Rousseff: “Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”. REINALDO, A. Dilma “a católica”, compara o aborto a arrancar um dente. In: Blog do Reinaldo Azevedo, 14/05/2010. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-a-catolica-compara-o-aborto-a-arrancar-um-dente/. Acessado em 02/03/2012. 

[4] Nas palavras de Eleonora Menicucci: “[O aborto] não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas”. ELEONORA MENICUCCI DIZ QUE ABORTO É QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. In: DCI digital. Disponível em http://www.dci.com.br/Eleonora-Menicucci-diz-que-aborto-e-questao-de-saude-publica-5-409642.html. Acessado em 02/03/2012.

[5] WORLD HEALTH ORGANIZATION. Safe abortion: technical and policy guidance for health systems.  2nd ed. Washington: EUA, 2012.

Para ler a primeira parte clique aqui

Ivanaldo Santos é filósofo e professor do departamento de filosofia e da Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UERN. Livros publicados: Nietzsche: discurso introdutória (Editora Ideia, 2007), Aborto: discursos filosóficos (Editora, Ideia, 2008). ivanaldosantos@yahoo.com.br.