O aborto e a ameaça à soberania nacional (Parte VI)

Análise do professor Ivanaldo Santos, autor do livro "Aborto: discursos filosóficos"

São Paulo, (Zenit.org) Ivanaldo Santos | 802 visitas

O aborto e a ameaça à soberania nacional

O presente estudo não é uma apresentação detalhada e radical de todo o lobby pró-aborto que atualmente está sendo desenvolvido em vários países do terceiro mundo e da América Latino. No entanto, ele apresenta uma visão geral do perigo que se encontra, na atualidade, as democracias, a soberania nacional e principalmente o feto, ou seja, o bebê ainda no ventre da mãe. 

O poderoso lobby internacional para implantar o aborto no mundo originou-se no ano de 1952 quando o megamilionário John Davison Rockefeller, mais conhecido como Rockefeller III, fundou em Nova York o Conselho Populacional para promover o controle do crescimento demográfico em todo o mundo. Aos esforços do Conselho Populacional, nos anos seguintes, somou-se a Fundação Ford, uma das fundações mais atuantes na promoção e difusão do aborto em todo o mundo. As organizações Rockefeller e a Fundação Ford foram, durante vários anos, os pioneiros em promover o planejamento familiar e o aborto para fins de controle demográfico.

No final das décadas de 1960 e 1970 John Davison Rockefeller, diretamente e através de suas organizações, passou a exercer um pesado lobby junto ao governo federal americano para que este reconhecesse a questão do controle demográfico mundial como um problema de segurança interna dos Estados Unidos, do que resultou a elaboração do Relatório Kissinger que reconhece a explosão demográfica mundial como um problema de segurança interna dos Estados Unidos e que jamais nenhum país conseguiu diminuir a taxa de crescimento populacional sem ter recorrido ao aborto. Por causa disso foi criada a divisão populacional da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (United States Agency for International Development – USAID)[1] que, durante cerca de uma década, gastou a fabulosa quantia de quase 2 bilhões de dólares da época para financiar o controle populacional mundial através da esterilização forçada, do uso de contraceptivos e também através do aborto, tanto o legal como o clandestino. Foi a USAID que financiou a pesquisa básica que culminou com a disseminação das modernas drogas abortivas, que eram vistas pelos diretores do organismo como uma "nova penicilina que acabaria com a enfermidade da explosão populacional". A USAID também promoveu cursos e congressos internacionais sobre a prática de aborto para milhares de médicos provenientes de praticamente todos os
países do mundo, patrocinou a distribuição de centenas de milhares de aparelhos para procedimento abortivo em mais de setenta países, na maioria dos quais o aborto não era legal, e implantou as redes de clínicas clandestinas de abortos em vários desses países.

Durante o governo do presidente americano Jimmy Carter (1977-1981) houve uma forte reação popular e, com isso, resultou na votação da Emenda Helms, a qual proibiu a USAID de continuar promovendo o aborto e qualquer uso de verbas federais para o financiamento da prática do aborto tanto dentro como fora dos Estados Unidos. O diretor da divisão de população da USAID, Dr. Reimert Ravenholt, que recentemente publicou extensa documentação a este respeito, a qual pode ser acessada pelo endereço eletrônico: http://www.ravenholt.com, estimou que desde 1968 até 1973, o trabalho da organização, graças ao seu extraordinário orçamento, havia impedido, em cerca de uma década, o nascimento de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

Impedidos de trabalhar pela Emenda Helms, os diretores da divisão de população da USAID viram-se obrigados a criar uma organização privada, a qual recebeu o nome de Ações Afirmativas em Direitos e Saúde (Affirmative Action in Human Rights and Health), mais conhecida pela sigla IPAS, para continuar a missão repentinamente interrompida pelo governo Jimmy Carter. Desde o final da década de 1970, com a ajuda das fundações internacionais, o IPAS tornou-se um dos principais promotores internacionais do aborto legal e ilegal. Sediado na Carolina do Norte e com filiais em inúmeros países, inclusive no Brasil, o IPAS distribui equipamentos para a prática de abortos, assessora clínicas de aborto promove cursos para médicos em procedimentos de aborto em todo o mundo. No Brasil o IPAS, por exemplo, em parceria com o governo federal, promove regularmente cursos sobre aborto na maioria das grandes maternidades e escolas de medicina. O governo brasileiro[2] não somente apoia o trabalho do IPAS, como também segue suas recomendações e, em 9 de março de 2009, o Ministério da Saúde brasileiro condecorou a organização com a entrega de uma placa de reconhecimento pela relevância dos serviços prestados à nação. Vale salientar que o IPAS é uma organização que interfere constantemente na política interna das nações. O IPAS age como se fosse o governo ou algum órgão governamental, mas não passa de uma agência estrangeira de controle populacional. Uma agência que coloca em cheque a soberania das nações.  

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[1] Um resumo das atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, (USAID em sua sigla em inglês), em relação ao aborto, durante esse período histórico encontra-se em: A PROMOÇÃO INTERNACIONAL DA ESTERILIZAÇÃO, DO ABORTO CLANDESTINO E DO ABORTO QUÍMICO: condensado do depoimento autobiográfico de Reimert Thorolf Ravenholt. Brasília: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, 2010. O original em inglês está disponível no endereço eletrônico: http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/ravenholt-trans.html.

[2] Sobre o premio que o governo brasileiro concedeu ao IPAS recomenda-se consultar: ADESSE, Leila. Editorial. In: Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva. Informativo Eletrônico de IPAS Brasil. Edição N. 39, março 2009. 

Ivanaldo Santos é filósofo e professor do departamento de filosofia e da Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UERN. Livros publicados: Nietzsche: discurso introdutória (Editora Ideia, 2007), Aborto: discursos filosóficos (Editora, Ideia, 2008). ivanaldosantos@yahoo.com.br.