O bispo militar argentino, sem reconhecimento governamental, poderá exercer seu ministério

Segundo comunicou um representante do governo ao núncio apostólico

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BUENOS AIRES, terça-feira, 22 de março de 2005 (ZENIT.org).- O governo argentino comunicou oficialmente nesta terça ao núncio apostólico em Buenos Aires, o arcebispo Adriano Bernardini, que deixou de reconhecer ao monsenhor Antonio Baseotto como bispo militar.



Contudo, o secretario de Culto, Guillermo Oliveri, encarregado de comunicar a mensagem, declarou que o prelado poderá seguir exercendo seu ministério como bispo nas Forças Armadas..


Com uma decisão do presidente da república, Nestor Kirchner, anunciada nesta sexta-feira pelo ministro de Assuntos Exteriores, Rafael Bielsa e pelo chefe de Gabinete, Alberto Fernández, retirou-se o aval do prelado, que perde assim seu soldo e seu cargo de subsecretário de Estado, próprio do bispo castrense.

A medida constitui uma resposta a afirmações do prelado contra o Ministro da Saúde, Ginés Gonzáles García, favorável à despenalização do aborto. O bispo lhe escreveu uma carta advertindo-lhe que poderia incorrer em «apologia do delito de homicídio».

Em relação aos casos de distribuição pública de preservativos por parte do ministro entre jovens, o bispo citou o Evangelho com estas palavras: «os que escandalizam aos pequeninos merecem que lhe amarrem uma pedra de moinho ao pescoço e lhe atirem ao mar».

Meios de comunicação interpretaram a citação como uma referencia aos «vôos da morte», a pratica de lançar pessoas ao mar que é atribuída ao exército argentino nos anos setenta.

Este sábado, Joaquín Navarro-Valls, porta-voz da Santa Sé, publicou uma declaração em que afirmava: «obviamente se impede-se de exercer o ministério pastoral a um bispo nomeado legitimamente pela Santa Sé segundo as normas do direito canônico e dos acordos vigentes, tratar-se-ía de uma violação da liberdade religiosa, assim como dos acordos acima citados».

Esta segunda-feira, o ministro Bielsa afirmou: «quero dizer de maneira categórica que os paroquianos militares e seus familiares não vêem afetada em nada sua liberdade de seguir beneficiados com cuidados pastorais».