O Brasil é a grande oportunidade

O que Francisco dirá ao mundo em uma favela?

Madri, (Zenit.org) Rafael Navarro-Valls | 614 visitas

Quando o papa Francisco entrar na “Faixa de Gaza” brasileira, como é chamada a favela que ele vai visitar nesta semana, não só as autoridades brasileiras e os fiéis de todo o mundo estarão atentos à sua mensagem social, mas também a diplomacia e mesmo os serviços de inteligência dos Estados Unidos, da China, da União Europeia, de Cuba e de vários outros países.

Até nos ambientes menos evidentes, espera-se com curiosidade contida a visão que o papa Francisco apresentará sobre a doutrina social da Igreja e sobre o seu modo de impulsioná-la no segundo decênio do século XXI: sobre o dilema de articular estruturas econômicas equidistantes do capitalismo selvagem, alheio à solidariedade, e de um novo marxismo vergonhoso, que postula um Estado órfão daquelas forças sociais próximas da indigência, material ou espiritual. Em poucas palavras, espera-se pela visão do papa argentino sobre a “globalização da justiça e da caridade”, sobre a “Igreja dos pobres”. E, acima de tudo, aguarda-se para conferir se ele vai manter a visão do antecessor, o papa Ratzinger, que utilizou a dura frase de Santo Agostinho para qualificar como “grande bando de ladrões” todos os governos que não se regem pela justiça.

Ao saudar a imprensa na viagem ao Rio, Francisco já começou a desenhar os pontos cruciais da sua mensagem. O primeiro é “uma cultura da inclusão", que não deixe ninguém na periferia econômica, ninguém excluído como se fosse um refugo social. "Esta é a mensagem que eu quero trazer nesta viagem", concluiu. Entre outras coisas, porque as sementes das ditaduras encontram terra fértil na miséria e na necessidade e crescem vertiginosamente quando o povo perdeu as esperanças de uma vida melhor.

Até agora, o papa Francisco não teve tempo para expor uma mensagem unitária propriamente sua. É preciso levar em conta que a sua primeira encíclica foi escrita a “quatro mãos” com Bento XVI, e as suas mensagens, exceto a de Lampedusa, tiveram que abranger muitos temas diferentes para começar a desenhar o quadro que ele tem na cabeça.

O Brasil é a grande oportunidade. Tem razão o cardeal Cláudio Hummes, um dos amigos mais próximos do papa Francisco, ao ver nesta viagem ao Rio a ocasião mais oportuna para o papa anunciar o seu programa, precisamente porque ele vai visitar, em especial, “aqueles que vivem na periferia”, aqueles de quem o papa argentino fez a sua grande prioridade.