O Caminho Neocatecumenal a serviço da Igreja para a redescoberta da fé

Kiko Argüello explica como a realidade eclesial começada por ele realizou as promessas do Concílio Vaticano II, e trouxe novas energias à Igreja hoje

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Por Salvatore Cernuzio

CIDADE DO VATICANO, sábado, 13 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Com "grande alegria", esta manhã, Bento XVI, deu início a um momento histórico para a Igreja do nosso tempo: o Ano da Fé. Milhares de fieis encheram hoje a praça de São Pedro para celebrar o evento com o Santo Padre. Presentes na cerimônia também alguns Padres Conciliares e os diversos participantes no Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização ainda em andamento.

Entre estes, também Kiko Argüello, fundador de uma das realidades atualmente mais vivas e numerosas da Igreja: o Caminho Neocatecumenal, cujo carisma, por mais de 40 anos, é de fazer amadurecer uma fé no meio daquela "desertificação espiritual" que tem caracterizado as últimas décadas da humanidade.

No final da Santa Missa, Kiko concedeu a ZENIT a breve entrevista que publicamos abaixo.

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ZENIT: Kiko, na primeira Congregação da Assembleia sinodal foi dedicado grande atenção aos movimentos e às realidades eclesiais, indicados como graça do Espírito Santo que dão nova energia à Igreja. O Cardeal Wuerl, entre estes, citou especialmente Comunhão e Libertação, Opus Dei e o Caminho Neocatecumenal. Como você acolheu estas palavras?

Kiko Argüello: Foi lindo! Nós nascemos depois do Concílio Vaticano II para ajudar a Igreja e estou feliz que isto seja reconhecido. Quisemos colocar na Igreja um caminho de fé, porque somente uma fé adulta pode responder às situações atuais de secularização que são encontradas em tantas partes do mundo. Ainda ontem, durante os trabalhos dos Círculos Menores do Sínodo, durante a quinta Congregação, um dos relatores, Mons. Ricardo Blázquez Pérez, arcebispo de Valladolid, falou do Caminho Neocatecumenal, e disse que estava convencido de que fosse uma das respostas, depois do Concílio, para os problemas da Igreja.

Isso não significa que queremos substituir a Igreja, ou que sejamos a única expressão eclesial e religiosa válida. Na verdade, somos somente servidores humildes que se colocam a serviço da Igreja, para ajudar as pessoas a descobrir a beleza de ser cristãos. Por que esta é uma coisa enorme: ser filhos de Deus, unidos, que se amam uns aos outros. É fantástico realmente!

ZENIT: Pode-se dizer, portanto, que, em certo sentido, o Caminho Neocatecumenal realizou as promessas do Concílio Vaticano II?

Kiko Argüello: Sim, está realizando as promessas, apesar de nós e dos nossos pecados. Leigos que evangelizam, famílias em missão, milhares de vocações. Este ano abrimos dez novos seminários, entre os quais um na Índia e um no Rio de Janeiro. Estamos realmente supresos dos frutos que vemos, porque não é absolutamente trabalho nosso.

Quando peço famílias para ir em uma missão no mundo, certamente não é pelo meu poder que se ofereçem 3.000. Ou, como aconteceu no passado verão em Madrid que pedi sacerdotes para a China e quase 5.000 jovens se ofereceram... É algo lindo. Somos realmente espectadores das obras do Espírito Santo.

ZENIT: Ultimamente fala-se de uma publicação sua que está quase saindo. Isso é verdade?

Kiko Argüello: Sim. É um pequeno volume que vai sair talvez no encerramento dos trabalhos sinodais, onde buscamos colocar por escrito o Kerygma anunciado nos encontros de Nápoles, Budapeste, Milão e Trieste deste ano. É o kerygma dos três anjos, que, na minha opinião, é uma catequese muito importante para a antropologia de hoje, que perdeu o seu conteúdo profundo. Pode-se dizer que é um livro para a Nova Evangelização, e nós acreditamos que seja importante transmitir este anúncio que restaura um sentido à pergunta "por que evangelizar?".

ZENIT: O Santo Padre abriu, há pouco tempo, um tempo de graça para a Igreja de hoje: o Ano da Fé. Quais são suas expectativas para este ano?

Kiko Argüello: Eu espero que nós possamos redescobrir a beleza da Fé. Aquela Fé que nos dá a natureza de Deus e cura profundamente o ser do homem que foi ferido pelo pecado original. O homem separando-se de Deus se torna escravo do não ser, as consequências são óbvias: a quantidade de mulheres que são assassinadas, os suicídios por toda parte e assim por diante. Quando um homem descobre que “não é”, decide matar-se. A Igreja, portanto, neste ano, deve redescobrir a palavra de salvação para toda a humanidade: que Cristo veio para dar-lhes a vida, para dar "o ser do Espírito Santo".

[Tradução Thácio Siqueira]