"O cântico é um auxílio e uma expressão incomparável da oração"

Papa Bento XVI no 35º Encontro Europeu de jovens da Comunidade de Taizé

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 1430 visitas

Apresentamos o Discurso do Papa Bento XVI aos participantes no 35º Encontro Europeu de jovens da Comunidade de Taizé.

Obrigado, caro irmão Alois, pelas vossas palavras calorosas e cheias de afecto.

Queridos jovens, queridos peregrinos da confiança, bem-vindos a Roma!

Viestes em grande número, de toda a Europa e também de outros continentes, para rezar junto dos túmulos dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Foi de facto nesta cidade que ambos derramaram o seu sangue por causa de Cristo. A fé que animava estes dois grandes apóstolos de Jesus é também a mesma que vos pôs a caminho. Durante o próximo ano, quereis tentar desobstruir as fontes da confiança em Deus, para vivê-las no quotidiano. Alegro-me por irdes deste modo ao encontro da intenção do ano da fé, que começou no mês de Outubro.

É a quarta vez que há um Encontro Europeu em Roma. Nesta ocasião, gostaria de repetir as palavras que o meu predecessor João Paulo II dirigiu aos jovens no terceiro encontro em Roma: «O papa sente-se profundamente empenhado convosco nesta peregrinação de confiança através da terra. Também eu sou chamado a ser um peregrino de confiança em nome de Cristo».

Há pouco mais de 70 anos, o irmão Roger fez nascer a comunidade de Taizé. Ela continua a ver chegar até ela milhares de jovens do mundo inteiro, à procura de um sentido para a sua vida. Os irmãos acolhem-nos na sua oração e fornecem-lhes a oportunidade de fazerem a experiência de uma relação pessoal com Deus. Foi para apoiar estes jovens no seu caminho rumo a Cristo que o irmão Roger teve a ideia de começar uma «peregrinação de confiança através da terra».

Testemunha infatigável do Evangelho de paz e de reconciliação, animado pelo fogo de um ecumenismo de santidade, o irmão Roger encorajou todos os que passam por Taizé a procurarem a comunhão. Eu disse-o, no dia logo depois da sua morte: «Deveríamos escutar o interior do seu ecumenismo, vivido espiritualmente, e deixarmo-nos conduzir pelo seu testemunho rumo a um ecumenismo verdadeiramente interiorizado e espiritualizado». Ao segui-lo, sede todos portadores desta mensagem de unidade. Asseguro-vos o compromisso inabalável da Igreja católica em prosseguir a procura de caminhos de reconciliação para chegar à unidade visível dos cristãos. Nesta noite, gostaria de saudar com um afecto muito particular todos os que, de entre vós, sois ortodoxos e protestantes.

Hoje, Cristo faz-vos a pergunta que dirigiu aos seus discípulos: «Quem sou eu para vós?» A esta pergunta, Pedro, junto de cujo túmulo nos encontramos neste momento, respondeu: «Tu és o Messias, o filho de Deus vivo» (Mt 16, 15-16). Toda a sua vida tornou-se uma resposta concreta a esta pergunta. Cristo também deseja receber de cada um de vós uma resposta que venha não da obrigação ou do medo, mas da vossa liberdade profunda. Com a resposta a esta pergunta, a vossa vida encontrará o seu sentido mais pleno. O texto da Carta de São João que acabámos de ouvir dá-nos com grande simplicidade, como uma espécie de resumo, uma resposta: «que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo, e que nos amemos uns aos outros» (3, 23). Ter fé e amar Deus e os outros! O que há de mais exaltante? O que há de mais belo?

Que, durante estes dias em Roma, possais deixar subir aos vosso corações este sim a Cristo, aproveitando particularmente os longos tempos de silêncio que ocupam um lugar central nas vossas orações comunitárias, despois da escuta da Palavra de Deus. Esta Palavra, diz a Segunda Carta de Pedro, é «como a uma lâmpada que brilha num lugar escuro», que fazeis bem em observar, «até que o dia desponte e a estrela da manhã nasça nos vossos corações» (1, 19). Compreendestes: se a estrela da manhã deve nascer nos vossos corações é porque ela não está sempre aí. Por vezes, o mal e o sofrimento dos inocentes criam em vós a dúvida e a preocupação; e o sim a Cristo pode tornar-se difícil. Mas esta dúvida não vos torna descrentes! Jesus não rejeitou o homem do Evangelho que gritou: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» (Mc 9, 24).

Para travar este combate da confiança, Deus não vos deixa sós ou isolados. Ele dá-nos a todos a alegria e o conforto da comunhão da Igreja.

Durante a vossa estadia em Roma, graças especialmente ao acolhimento generoso de tantas paróquias e comunidades religiosas, fazeis uma nova experiência de Igreja. Quando regressardes a casa, nos vossos diversos países, convido-vos a descobrir que Deus vos torna corresponsáveis pela sua Igreja, em toda a diversidade de vocações. Esta comunhão, que é o Corpo de Cristo, precisa de vós, e aí todos tendes um lugar. É a partir dos vossos dons, do que há de específico em cada um de vós, que o Espírito Santo constrói e faz viver este mistério de comunhão que é a Igreja, com o objectivo de transmitir a boa nova do Evangelho ao mundo de hoje.

Com o silêncio, o cântico ocupa um lugar importante nas vossas orações comunitárias. Os cânticos de Taizé enchem durante estes dias as basílicas de Roma. O cântico é um auxílio e uma expressão incomparável da oração. Ao cantardes a Cristo, abris-vos igualmente ao mistério da sua esperança. Não tenhais medo de preceder a aurora para louvar a Deus. Não ficareis desiludidos.

Queridos jovens amigos, Cristo não vos afasta do mundo. Ele envia-vos aos sítios onde falta a luz, para que a leveis aos outros. Sim: todos vós sois chamados a serdes pequenas luzes para os que estão à vossa volta. Através da vossa atenção a uma repartição mais equitativa dos bens da terra, pelo vosso empenho na justiça e por uma nova solidariedade, ajudareis os que estão à vossa volta a compreenderem melhor como o Evangelho nos conduz até Deus e até aos outros. Assim, com a vossa fé, contribuireis para que se erga a confiança através da terra.

Estai, pois, cheios de esperança. Que Deus vos abençoe, bem como às vossas famílias e aos vossos amigos!

(http://www.taize.fr/pt_article15069.html)