O carisma de um fundador corrupto e os irmãos da Imaculada

O Cardeal Aviz e Mons. Carballo responde as perguntas dos jornalistas

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 473 visitas

Sobre o carisma de um fundador, como perguntou ZENIT em espanhol à sua eminência, o cardeal recordou que ao carisma "unem-se muitas vezes elementos culturais que depois não se revelam parte do carisma, e isso requer uma capacidade crítica sobre os fundadores para purificar o carisma". É errado, acrescentou, “pensar que esse carisma terminou, porque o carisma foi dado por Deus e ele o conserva ou não de acordo com o que quer Deus, e não nós”. Portanto “purificar sim, para voltar ao carisma purificando-o. Porque deram resposta a um outro tempo, não hoje, e talvez hoje não sejam mais necessários. E, nesse sentido, eu acho que muitos carismas retomarão seu frescor e vivacidade".

E quando há um fundador corrupto como o fundador dos Legionários de Cristo? Perguntou Tablet de Londres. O cardeal disse que "estamos tomando consciência para distinguir o fundador do carisma em si mesmo” e não somente é o caso dos legionários, também de outras realidades mais antigas e mais novas. Nem todos os fundadores vivem de acordo com a graça que comunicam, é assim e é preciso distinguir as coisas, não é fácil. E lembrando a festividade da sexta passada, 31 de Janeiro: “Às vezes coincide o testemunho como com São João Bosco, outros não”.

Sobre os Legionários de Cristo, o arcebispo Carballo disse que "neste momento os Legionários não dependem do nosso dicastério. Nesse momento têm um delegado pontifício, o cardeal De Paolis e como tal responde diretamente ao Santo Padre”. Indicou que eles estão celebrando o seu capítulo, “depois disso verão se passam para a responsabilidade do nosso dicastério ou não”.

E o prelado espanhol disse que "no caso de passarem à competência do nosso dicastério seria um sinal de que voltam à normalidade, mas esta decisão depende do Santo Padre e qualquer decisão será acolhida por nós com espírito de total disponibilidade”. A eleição das novas autoridades dos legionários está em processo, e o saberemos quando tenha acabado, disse.

O cardeal Braz de Aviz, entretanto, disse que, se houver um visitador apostólico ou um comissário, então eles dependem do dicastério e informam tudo.  No entanto, se há um delegado pontifício isso depende totalmente do Santo Padre. Isso em todos os institutos e em todos os casos.

As relações entre a antiga e nova vida consagrada, foi a pergunta de Rádio Maria da Espanha, ao que o arcebispo espanhol reiterou que “na Igreja há lugar para todos e também na vida consagrada” e lembrou que o papa Francisco na última exortação apostólica, ao falar dos carismas, deixou claro que “para afirmar um não se pode negar ou combater outro”. E que um carisma é sempre atual, “sejam os históricos ou novos, porque  vem do Espírito".

As indicações sobre os bens dos consagrados serão vinculantes? Foi a pergunta do jornalista do Avvenire, à qual  Mons. Carvallo indicou que serão orientações que não serão vinculantes mas que “convidaremos a colocar em prática” e esclareceu que as mesmas foram pedidas pelos institutos. “O Papa nos encorajou a seguir em frente com essas diretrizes", disse, como nos casos em que os anciãos religiosos se tornam um peso. "Se possível, tentar-se-á que permaneçam na Igreja ou com uma função própria ao carisma ao qual pertenciam”.

A relação entre bispos, religiosos e movimentos na Igreja, até onde deve ir esse caminho, foi a pergunta de ZENIT em espanhol ao cardeal Braz de Aviz, que disse como o atual documento Mutuae Relationes pode ser aprofundado: “Nem submeter o carisma à hierarquia, nem a liberdade completa do carisma sem hierarquia porque estas duas realidades: a hierarquia e a dimensão carismática são igualmente co-essenciais. A hierarquia não é patrona dos carismas e os carismas não são um corpo estranho na Igreja, e essa tensão saudável tem que ser vivida nesse sentido, ao menos é o que acho”, disse, embora claramente será o Santo Padre que dará as diretrizes para o futuro documento .

Os missionários da Imaculada, foi a pergunta do padre Federico Lombardi, que disse que muitas vezes foi perguntado sobre o tema.

"O comissariamento dos Franciscanos da Imaculada - disse o arcebispo espanhol - partiu depois de uma visita apostólica, durante a qual o 74 por cento dos membros do Instituto pediu por escrito uma intervenção urgente da Santa Sé, para resolver os problemas internos, propondo um capítulo geral presidido por um representante do dicastério, ou da Congregação , ou comissariar o instituto por parte da Santa Sé”. Diante desse pedido “o dicastério depois de avaliar atentamente a avaliação do visitador apostólico, retendo que não existiam as condições nesse momento para celebrar um capítulo geral optou por comissariar, escolhendo como comissário geral o padre Fidencio Volpi dos frades menores capuchinhos”.

Acrescentou que, durante a visita apostólica, 21 membros do Instituto pediram ao dicastério ser comissariados. “Como é lógico nestes casos nem todos estão de acordo com estas medidas. E nosso dicastério tomou a decisão depois de um cuidadoso estudo do informe realizado pelo visitador apostólico”. Mons. Carballo destacou que “é para ajudar a um instituto que está crescendo. O comissariar não é nunca um castigo da Santa Sé para um instituto, mas uma benévola atenção que expressa a maternidade da Igreja”. E concluiu esclarecendo: “Temos que dizer, além do mais, que o tema do rito não é absolutamente o motivo principal de tal intervenção”. Recordamos aos nossos leitores que os Franciscanos da Imaculada celebram a Missa Tridentina, graças à possibilidade que concedeu Bento XVI.

Tradução Thácio Siqueira