O cine-fórum e a evangelização

Entrevista com padre Federico Juarez, L.C, missionário no Brasil.

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Por Tarcisio Siqueira

BRASILIA, quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 (ZENIT.org).- Entrevista com o Padre Federico Juárez, LC, sacerdote, originário da cidade mexicana de Aguas Calientes. Missionário em terras brasileiras há mais de dez anos, atuando hoje no Estado do Rio Grande do Sul, tendo passado por Brasilia, a capital do Brasil, e pelo Rio de Janeiro. Ao longo destes anos desenvolveu várias atividades apostólicas.

Diante disso o convidei para contar um pouco de uma destas atividades, conhecida como cine-fórum, que consiste em organizar pequenos grupos para assistir bons filmes, como por exemplo o filme "Bella" do ator e produtor Eduardo Verastequi:

1 – Como conheceu o filme "Bella"?

Eu conheci o filme pela promoção que se fez no México. E lá a promoção era de um filme onde se apresentava de forma original, e de acordo com os tempos de hoje, um tema atual que é defesa da vida. Eu gostei do filme porque, embora apresente um drama pessoal dos dois atores principais, ambos de mundos diferentes, ao final compartilham o respeito à vida e a felicidade por respeitar a mesma vida, pois não cabe a homem algum decidir pela interrupção de uma gravidez por motivos econômicos. No desenrolar da história o ator matou uma criança e leva consigo o drama de querer repor o dano feito, e a autora engravida de outro  sem desejar, querendo se libertar do "produto" porque não conseguiria trabalho algum para sustentar a criança. Ao final ambos realizam seu sonhos: ele tenta emendar o dano que fez, e ela, mesmo não ficando com sua filha, respeita a vida dela e a abraça como sua mãe.

2 – Como nasceu a idéia dos cine-fóruns? E Quando?

Esta ideia já é velha, pois eu faço cine-fóruns há muitos anos, e com filmes que realmente ajudam os jovens a refletirem sobre temas que atingem em primeira pessoa suas vidas, sempre com o intuito de "despertar" neles, no debate, o desejo de conhecer a verdade e de querer abraçá-la custe o que custar. Apenas saiu este filme em DVD para comprar, e passou a fazer parte da minha lista de cine-fóruns. E as pessoas gostam de debater sobre temas reais e atuais. Em concreto este filme faz que a juventude pense nas consequências que pode ter uma decisão mal feita, e a alegria de respeitar a natureza, quer dizer, os planos de Deus, mesmo nos equivocando numa decisão que não tínhamos a visão do que isso provocaria.

3 – Quantos cine-foruns já realizou? Quantos Participaram?

Vários, todos eles em grupos de 15 a 20 pessoas, para poder ter debates que os jovens possam participar, acrescentar, pensar e fazer suas colocações a vontade. Também para que o moderador possa motivar às pessoas que queiram falar.

4 – Qual testemunho dos participantes vale a pena recordar?

Ainda me lembro de uma menina que falou que tinha sido para ela uma grande lição de vida a menina do filme, pois não é a beleza física que faz com que as decisões estejam certas, mas a própria consciência de que a vida vale muito mais, e de que está acima de tudo, e deve ser respeitada para poder compartilhar com o próximo a própria existência.

5 – O Senhor indicaria como atividade complementar às atividades paroquiais? 

Com certeza, acho que na pastoral da juventude poderia ser uma atividade que pudesse dar espaço à juventude, que, desejosa de conhecer e abrir-se à realidade, busca modelos de vida diferentes aos modelos que o mundo apresenta, e que são fictícios. Os jovens querem dividir, conhecer a verdade, e este filme apresenta uma realidade em que a família, a educação, a mesma vida leva às pessoas a valorizarem o dia a dia que está perto de nós, e que temos que assumir as consequências dos nossos atos, pois, como diz Saint Exupéry: “nós nos fazemos eternamente responsáveis pelas pessoas que cativamos”.