O coração dos três Pastorinhos bate em uníssono com o coração da Igreja

Saudação do Cardeal Tarciso Bertone em sua chegada à capelinha das aparições em Fátima

Fátima, (Zenit.org) | 361 visitas

Apresentamos o discurso de saudação do Cardeal Tarciso Bertone em sua chegada à capelinha das aparições em Fátima, neste sábado, 12 de outubro. 

Venerado Senhor Bispo de Leiria-Fátima,

Prezados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,

Devotados servidores e animadores do Santuário,

Queridos peregrinos!

A todos saúdo fraternalmente em Cristo, desejando a cada um a graça de abrir de par em par o coração a Nossa Senhora, «recebendo-A em sua casa» dentro dos próprios problemas ou aflições, com a vontade firme e constante de caminhar para Deus. Pela minha parte, quero agradecer o convite e o acolhimento recebidos. Venho aqui para, convosco, adorar a Trindade Santa na sua omnipotência e misericórdia; agradecer o conforto e a consolação divina à Igreja que sofre; professar a nossa fé comum; levantar os braços em prece pelo futuro de toda a humanidade; e enfim, na e pela nossa consagração, renovar, com todos vós, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria, em união com o Papa Francisco.

O Papa Francisco envia-vos a sua Bênção e pede as vossas orações por ele. É impressionante, neste lugar, ver como o coração dos três Pastorinhos bate em uníssono com o coração da Igreja, como amam o Papa, cujos sofrimentos tinham pressentido naquele misterioso cortejo do chamado Segredo de Fátima! Lá estava a Igreja inteira com o Papa à frente e os bispos, com os sacerdotes, religiosos e religiosas, com os leigos e leigas, homens e mulheres de todas as condições sociais e graus de cultura… subindo uma montanha escarpada no cimo da qual se erguia uma grande Cruz. Um cortejo que acaba em martírio, mas o sangue derramado é recolhido pelo Céu e transformado em refrigério para a humanidade.

Apesar do seu cabal cumprimento no século XX [vinte], aquele cortejo é uma profecia para todos os tempos. Não terminou o mal da incredulidade; não deixou de correr o sangue dos mártires. Este é o sangue da redenção. O próprio Filho de Deus Se ofereceu para sofrer a morte, porque a sua morte era necessária para que a vida não morresse. Assim foi com Cristo; assim será com a Igreja subindo a montanha, unida em todos os seus membros, para se abraçar à Cruz.

Aquilo que move o coração dos mártires não é a dor, mas o amor. Fátima é um apelo ao amor. Olhando o exemplo e confiando na intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Irmã Lúcia, ofereçamo-nos para aceitar as provações que o Senhor nos envia, certos de que a graça de Deus será sempre o nosso conforto (cf. Aparição de Maio de 1917). Segundo a conhecida parábola evangélica, a história será, até ao fim, o campo onde medram juntos o trigo e o joio; poderíamos dizer: a graça e o pecado.O mundo do futuro – este mundo novo que penosamente vai nascendo na era da globalização – precisa do tesouro da fé, que os cristãos, há dois mil anos, se esforçam por viver e transmitir. Nesta Jornada Mariana do Ano da Fé, entreguemo-nos a Maria para, não obstante a nossa fragilidade, sermos a luz da terra e o sal do mundo.

Nossa Senhora de Fátima, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, dirijo-me confiadamente a Vós para vos pedir, com o Papa Francisco, «semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado. Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho. Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor» (Encíclica Lumen fidei, 60). Amen.