O desafio da emergência educativa

Fala Paola Dal Toso, estudiosa do magistério pedagógico do papa

| 1215 visitas

ROMA, sexta-feira, 11 de novembro de 2011 (ZENIT.org) – “O Papa Bento XVI e a tarefa urgente da educação”é o títulodo novo livro da professoraPaola Dal Toso. A educação, que vai além da instrução, é um tema em que o papa pensa muito, diz a autora; uma verdadeira emergência.

A seguir, a entrevista que Paola Dal Toso concedeu a ZENIT.

ZENIT: Como nasceu este livro?

Dal Toso: O livro nasceu do meu interesse pela educação como preocupação de Bento XVI. Eu comecei a refletir depois da conferência de Verona de 2006, quando o então diretor, Dom Bruno Stenco, deu a esse tema uma importância altíssima.

ZENIT: Bento XVI fez algum pronunciamento específico sobre esse tema?

Dal Toso: O papa, em janeiro de 2008, tinha escrito aquela carta à diocese de Roma sobre o dever da educação, e a minha atenção nasceu naquela circunstância. Depois eu escrevi um artigo, publicado na revista dos salesianos, Orientações Pedagógicas, que tem grande valor no meio universitário. Comecei a me dar conta da frequência dos chamamentos do papa sobre a educação. E a recopilar tudo o que ele ia dizendo sobre o assunto. Ele aborda o tema com frequência, levando em conta que ele não é um pedagogo, que não há pronunciamentos específicos sobre a educação, mas que ele fala dela no âmbito de outras questões. Temos as cartas e várias abordagens para a diocese de Roma, e para os bispos italianos, em referência ao planejamento pastoral num prazo de dez anos, mas ele também fez outros chamamentos.

ZENIT: É uma recopilação, portanto, sobre a educação nas diversas falas do atual pontífice.

Dal Toso: Eu tentei sistematizar todas essas falas, expressões e aprofundamentos. Organizei tudo num esquema simples, uma análise da emergência educativa e, portanto, dos problemas que caracterizam a sociedade. Dei atenção também à figura do educador, à relação educativa, ao educando, a outros educadores como os pais, as instituições. Do ponto de vista pedagógico, nós os chamamos de “agências educativas”: me refiro à família, à escola, às associações esportivas, à atividade paroquial e também ao voluntariado.

Depois toquei em outros temas, em particular o uso dos meios de comunicação, que podem ter valor também do ponto de vista educativo. Isto supera o contexto escolar como ele é entendido tradicionalmente. A educação não é só instrução.

ZENIT: E não se refere somente à educação dos mais jovens.

Dal Toso: Não, nos escritos do papa fica clara a exortação à educação não das crianças, como tradicionalmente a entendemos, mas também dos adolescentes, jovens e adultos. É muito claro: o papa aborda o problema da educação dos adultos, uma educação que tem que continuar durante toda a vida.

ZENIT: Existe um desejo de evangelização?

Dal Toso: Sim, especialmente quando o papa destaca a educação como um instrumento para acompanhar o descobrimento do que pode ser uma resposta à pergunta da verdade. Bento XVI vê nas pessoas essa demanda de verdade.

ZENIT: Há algo concreto que você queira destacar do pensamento de Bento XVI sobre a educação?

Dal Toso: Eu acho que o papa é consciente das dificuldades de educar na atualidade, mas nos convida também a ser valentes, a assumir a responsabilidade da educação, a aceitar este desafio de emergência educativa e esta necessidade.