O desafio da escola de formar a pessoa integral

Fala a Ir. Olmira Dassoler, presidente da Associação de Educação Católica do Brasil

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BRASÍLIA, domingo, 29 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Belo Horizonte (Minas Gerais, sudeste do Brasil) acolheu, de 22 a 25 de julho, o 19º Congresso Nacional da Educação da AEC (Associação de Educação Católica) do Brasil, sob o tema «A práxis impregnada de amor. Por uma educação católica inédita e viável».



Para falar sobre o Congresso, do qual participaram 2.350 educadores, e sobre temas de educação no país, Zenit entrevistou a Ir. Olmira Dassoler, presidente da AEC.

– Que luzes o Congresso lançou?

– Ir. Olmira Dassoler: Foi um novo ânimo para o educador. Uma vontade de sentir os apelos da realidade. Todo o Congresso foi uma graça muito grande, porque tudo transcorreu muito bem. Foi um momento de encontro dos educadores do Brasil todo. Houve muita participação no sentido de encontro entre eles. Uma parte muito bonita salientada foi a espiritualidade do educador. A necessidade do educador estar sintonizado com uma espiritualidade que lhe dê suporte para a prática educativa.

Falou-se também da mercantilização da educação, das tecnologias, que devem estar a serviço da educação, mas que não escravizem as pessoas, não as dominem. Que o educador procure realmente se sintonizar com as coisas novas que aparecem, que não desanime, e sim procure aquilo que possa auxiliá-lo em seu trabalho.

– O documento final da Conferência de Aparecida fala que há uma «emergência educativa» na América Latina...

– Ir. Olmira Dassoler: O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, enfatizou no Congresso que, na prática educativa, o educador deve realmente se espelhar e buscar que o centro de toda essa prática seja a pessoa de Jesus Cristo. Isso para que nós, educadores, sejamos realmente missionários desse Jesus Cristo.

– Como é ser escola católica em um universo plural e secularista como o dos dias de hoje?

– Ir. Olmira Dassoler: É difícil, mas eu penso que, se nós acreditamos em valores, nós sabemos o que queremos, nós acreditamos na utopia, há sempre esperança. A educação não é uma coisa mágica que acontece de um dia para o outro. Nós devemos acreditar numa semente que é lançada, e essa semente cresce de pouco em pouco. Quando a gente percebe, vê os frutos que estão aparecendo. Mas tem de ter paciência. E paciência histórica também. Por outro lado, não ficar alheio ao novo que vem aparecendo. Descobrir nesse novo quais são as coisas positivas. O potencial que pode contribuir.

– Hoje em dia muitas escolas educam de uma forma um tanto reducionista do ponto de vista antropológico, visando apenas resultados. Uma das razões de ser da escola católica seria a proposta de formação integral?

– Ir. Olmira Dassoler: Esse que é o diferencial da escola católica. Não se ater simplesmente ao conteúdo. Eu penso que a escola católica tem de ir além. Tem de buscar desenvolver esses valores que formam a pessoa integral, não é só formar para a cabeça, mas a cabeça e o coração. Nesse sentido que eu vejo a escola católica dando o seu diferencial. Claro que cada escola tem o seu específico. Em cima dele deve-se buscar isso que faz com que a escola se torne um ponto de luz, de testemunho, porque muitos educadores, mesmo nas escolas públicas, são católicos, procuram viver os seus valores. Mas na escola católica é ainda mais. E aí você está acreditando numa proposta que traz o diferencial.